Indefinido



1 de julho, 2004

Um adeus... até depois...

amor.jpg


Florescem pensamentos num jardim de ideias. Recônditas palavras ressuscitam antigos receios.
Uma imprópria mas desejada utopia... a conduta para o impossível. Efémera viagem, onde as certezas do passado se imiscuem com as incertezas e ambiguidades do futuro. Por isso Deus criou o sonho. Sonhar é uma forma de viver. A forma mais feliz de o fazer. Cada dia como se fosse o primeiro e o último. Este será, talvez, o meu último texto. Não se pode lutar sozinha, acabei por me render à evidência. 
Assim, parto de cabeça erguida, e de mim, nómada em busca da estrela da manhã, ficarão só as palavras sentidas e uma enorme desolação. Eu sei que todo o tempo é apenas um momento. Este é o momento de me despedir de todos. Adeus...


Annaha

por Annaha às 12:59 AM Comentar(35)


30 de junho, 2004

" Que eu canto o peito ilustre Lusitano..."

Bandeira_Portuguesa.jpg


Os jogadores por nós tão incitados,
Que em Alvalade, terra verde lusitana,
Por feitos nunca de outrora sonhados
Jogarão para além da força humana,
Com golos ou penaltis esforçados,
Com persistência que de todos nós emana,
Contra os Holandeses a vitória alcançarão
Com engenho, bravura, glória e união!


Cale-se a voz de Advocaat, tão orgulhoso
Das façanhas e jogos já passados;
Cale-se a voz de Nistelrooy tão famoso
Pelas vitórias e golos já marcados;
Que eu canto o peito luso glorioso,
Tendo a seus pés os ingleses dominados.
Cesse tudo o que a Holanda apregoar,
Que a selecção portuguesa vai ganhar!


Soror Annaha


Nota: Camões que me perdoe... mas é por uma causa justa!

por Annaha às 04:06 PM Comentar(5)


PORTUGAL!!PORTUGAL!!

200319_MEDIUMSQUARE.jpg

HINO DO EURO 2004

It is the passion flowing right on through your veins
And it’s the feeling that you’re oh so glad you came
It is the moment you remember you´re alive
It is the air you breathe, the element, the fire
It is that flower that you took the time to smell
It is the power that you know you got as well
It is the fear inside that you can overcome
This is the orchestra, the rhythm and the drum

Com uma força, com uma força
Com uma força que ninguem pode parar
Com uma força, com uma força
Com uma força que ninguem pode matar

It is the soundtrack of your ever-flowing life
It is the wind beneath your feet that makes you fly
It is the beautiful game that you choose to play
When you step out into the world to start your day
You show your face and take it in and scream and pray
You´re gonna win it for yourself and us today
It is the gold, the green, the yellow and the grey
The red and sweat and tears, the love you go. Hey!

FORÇA PORTUGAL!!

HERÓIS DA BOLA
NOBRE POVO
NAÇÃO VALENTE IMORTAL
GANHAI HOJE DE NOVO
MAIS UM JOGO PARA PORTUGAL

ENTRE AS BRUMAS DA MEMÓRIA
Ó PÁTRIA SENTE-SE A VOZ
DE EUSÉBIOS E OUTROS MAIS
QUE HÃO-DE GUIAR À VITÓRIA

AOS GOLOS , AOS GOLOS !
SOBRE A RELVA DE ALVALADE
AOS GOLOS , AOS GOLOS
PELA PÁTRIA JOGAR

CONTRA A HOLANDA, GANHAR, GANHAR!!

Nita

por Nita às 02:08 PM Comentar(6)


Vamos lá PESSOAL

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Vamos lá Pessoal apoiar Portugal
Contamos com as preces da soror para a VITÓRIA!


A Vitória é nossa!


 

por June M às 09:44 AM Comentar(24)


29 de junho, 2004

espelho meu, espelho nosso...

mirror2s.jpg 


Olhei-o de frente e fiz-lhe a pergunta: - " Espelho meu, espelho meu, há, no mundo, alguma mulher mais bela do que eu?"
Pareceu-me que, por instantes, a luz lhe fugia. Pareceu-me ver uma sombra escapando-se por entre os reflexos do fundo. Era ele, o desgraçado, tentando abafar o riso. Então, corrigi a pergunta: - " Espelho meu, espelho meu, há, nesta rua, alguma mulher mais bela do que eu? ".
Maldito! Continuou calado. Ou seria surdo? Resolvi tentar de novo: - " Espelho meu, espelho meu, há, neste prédio, alguma mulher mais bela do que eu?" Perante a sua indisfarçada petulância, perante o seu mutismo, antes que o sorriso irónico aparecesse, antes de lhe atirar com um frasco de perfume que o desfizesse em mil espelhinhos, resolvi  balbuciar, timidamente: - " Não, não há. Eu sei que não há..."
E, no entanto, eis-me aqui, belo exemplar da complexidade feminina, a travar um surdo diálogo com um... espelho.
Não, ingrato espelho, não estou a pôs em causa o teu bom gosto, imbecil. Ponho, sobretudo, em causa o que já conquistei - ou não - e, até mesmo, o que ainda pretendo alcançar na vida. Ah, sim, não dispenso esta sessão de masoquismo. Nem desejo que pessoa alguma venha criticar as minhas dúvidas existenciais.
Como o ser humano é complicado. Nós, mulheres, nem se fala... Não desistimos de mudar o mundo, de mudar o outro, de nos mudarmos, até que o mundo, o outro, nós... correspondam ao nosso ideal, que, paradoxalmente, sabemos não existir.
Isto da vida deixa não deixa de ser um bilhete da sorte grande! Quando pensamos que encontramos a porta do paraíso, reparamos que é só uma porta que nem se pode abrir de tão enferrujada que está.!
Descobri muito cedo que o Pai Natal é uma farsa, mas sempre tive a certezinha de que era a Cinderela. A versão recente e moderna da gata borralheira. Porém, os sapos encantados estão em vias de extinção, isto já para não falar dos princípes. Os poucos que há, estão sob as garras de alguma bruxa - má para nós, boa para eles.
 Mas, enquanto finjo que não espero... vou sonhando.
Aposto uma parte - coisa pouca -  do meu ordenado em cremes hidratantes, found de teint, cremes anticelulite, cubro as minhas unhas de esmalte fortificante, claro, para as proteger do efeito devastador do Fairy. Faço ginástica três vezes por semana - quando a preguiça não se apodera de mim ou quando não me dá para praticar corrida lenta a ver montras - para manter a rígidez muscular. Sim, porque o meu bom-senso - também não posso ter tudo mau... - recusa-se a aderir à moda do cem por cento sintético. Não como os chocolates que amigas de peniche me oferecem - dizem as revistas que não posso engordar e lá vou falando - raramente passo da conjugação deste verbo - em dietas e regimes espartanos. Sempre detestei a Inquisição, torturas, cenas de terror, e a visão do meu corpo transformado numa esbelta ninfa... esfomeada e em estado quase letárgico, não me atrai muito.
E tem mais - sou mãe! Uma mãe atenta, mas demasiado ocupada com os problemas domésticos, as compras, a profissão...
Porém, não sou de ferro. E tenho, por vezes, estas debilidades. Como a de hoje... perante o espelho.
Porra, déspota pedaço de vidro, custava-te dizer: - " Não, não existe. Tu és a mulher mais bela do mundo, a mais perfeita, a mais culta, a mais sensível... a mais idiota?!"
Idiota, sim. O tempo das princesas já era. E o dos princípes... já foi.
Deixo de olhar para o espelho e observo, atentamente, o Inácio. Qual Inácio? O peixinho vermelho que tenho no meu quarto, suas mentes poluídas.. Não tem possibilidade de fugir: roda e roda, noite e dia. Come, quando lhe dão de comer, e, entretanto, roda. Isto é a morte, sem o grande sossego da morte. Às vezes, sinto-me assim. Olho-me ao espelho e vejo uma mulher presa entre paredes de vidro. Não tenho possibilidades de fuga. Rodo. Quem disse que circular é viver?!
Quem foi o néscio que inventou o espelho? Narciso, claro. E teve um rico fim...
Sinto-me um disco riscado ou um CD estragado. Neste reino, que se activa por magia e em circunstâncias que não sabemos bem definir, a nostalgia pega fogo e ateia a tristeza. E esta destrói tudo. Destrói as expectativas, rodeia de sombras as certezas e faz-nos ver tudo negro. É nestas alturas que temos uma pena imensa de nós mesmas, sentindo um vazio infinito cá dentro que nada - bolas, há por aí algum perito em Freud? - nada mesmo parece poder preencher.
Volto a olhar, desafiadoramente, o espelho. Estás feito, podes crer, se não respondes o que deves. E, saboreando, antecipadamente, a morte daquele repugnante Judas, pergunto: - " Espelho meu, espe... "
" - Mãeeeee, viste a minha mochila?" - grita uma voz estridente e impaciente.
Olho para o inimigo. Ele olha para mim. Desafio. Luta de titãs.
De repente, alguém entra, qual turbilhão, no quarto e diz: - " Mãeeeeee, viste a minha mochila? Mãe, que tens? Sentes-te mal?Que fazes, tipo esfinge, em frente ao espelho?  Estás linda. És a mãe mais bonita do mundo. Viste a minha mochila? Despacha-te!" . E o turbilhão sai tão rápido como entrara. Esquisito, dá a impressão que o espelho empalideceu, diminuiu, perdeu poder. O rosto que reflecte apresenta-se confiante, feliz, radioso.
Espelho meu, espelho meu, sou a mãe mais bonita do mundo!


Annaha

por Annaha às 07:23 PM Comentar(10)


28 de junho, 2004

Sol de pouca dura!

solpoucadura.JPG

Num pequeno barco
Soltei minha ilusão.
Num mar de ondas brancas
De vento em popa navegou,
Percorreu neste mar calmo
Milhas de felicidade,
Envolto em mansidão.
Mas eis que no horizonte
Nuvens negras se divisam,
Ameaçadoras o céu cobrem.
O vento mudou seu rumo
Minhas velas se rasgaram
Meu veleiro destroçou
Em rochedos de ódio,
Para o fundo transportou
Meus haveres minhas vontades.
Minha vida perigou
Mas à força do meu querer
Este mar eu vencerei
E para mim sempre saudades
Desta viagem guardarei.

Nita

por Nita às 10:20 PM Comentar(23)


CURTA-METRAGEM


noitefelina.jpg

      Ao lume, as imagens acorrem sem esforço: trata-se de tornar real um gato, um gato que me entrou pelo sono.
É inverno, veio com a chuva. Aproximou-se do fogo sem querer olhar para mim, sacudiu algumas gotas de água e enroscou-se na tijoleira quente, tendo caído no sono como pedra no poço. Contemplava aquele novelo desiludido e fremente com inveja - adormecera tão fácilmente! Também ele sonha, e no seu sonho há um dia de sol, e pardais na eira, e medas de palha. Espreguiçava-se, o corpo em arco sobre as patas todas. É preto, pintado por Manet.
Devia ficar com ele, os gatos pretos dão sorte, embora sejam ariscos. Não lhe tirava os olhos de cima, começava a considerá-lo uma companhia.
Ocasionalmente, leve, descomprometida. Uma afloração da pele mais do que enredos do espírito. De repente, aquele pequeno companheiro de algumas horas estremeceu, saltou sobre um pardalito que se lhe escapa entre as patas, corre atrás dele, não pára de correr, regressa à chuva. E eu, ao lume.

23.11.85

Eugénio de Andrade em «Os Dóceis Animais»

por June M às 06:23 PM Comentar(27)


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