Os jogadores por nós tão incitados,
Que em Alvalade, terra verde lusitana,
Por feitos nunca de outrora sonhados
Jogarão para além da força humana,
Com golos ou penaltis esforçados,
Com persistência que de todos nós emana,
Contra os Holandeses a vitória alcançarão
Com engenho, bravura, glória e união!
Cale-se a voz de Advocaat, tão orgulhoso
Das façanhas e jogos já passados;
Cale-se a voz de Nistelrooy tão famoso
Pelas vitórias e golos já marcados;
Que eu canto o peito luso glorioso,
Tendo a seus pés os ingleses dominados.
Cesse tudo o que a Holanda apregoar,
Que a selecção portuguesa vai ganhar!
Soror Annaha
Nota: Camões que me perdoe... mas é por uma causa justa!

HINO DO EURO 2004
It is the passion flowing right on through your veins
And it’s the feeling that you’re oh so glad you came
It is the moment you remember you´re alive
It is the air you breathe, the element, the fire
It is that flower that you took the time to smell
It is the power that you know you got as well
It is the fear inside that you can overcome
This is the orchestra, the rhythm and the drum
Com uma força, com uma força
Com uma força que ninguem pode parar
Com uma força, com uma força
Com uma força que ninguem pode matar
It is the soundtrack of your ever-flowing life
It is the wind beneath your feet that makes you fly
It is the beautiful game that you choose to play
When you step out into the world to start your day
You show your face and take it in and scream and pray
You´re gonna win it for yourself and us today
It is the gold, the green, the yellow and the grey
The red and sweat and tears, the love you go. Hey!
FORÇA PORTUGAL!!
HERÓIS DA BOLA
NOBRE POVO
NAÇÃO VALENTE IMORTAL
GANHAI HOJE DE NOVO
MAIS UM JOGO PARA PORTUGAL
ENTRE AS BRUMAS DA MEMÓRIA
Ó PÁTRIA SENTE-SE A VOZ
DE EUSÉBIOS E OUTROS MAIS
QUE HÃO-DE GUIAR À VITÓRIA
AOS GOLOS , AOS GOLOS !
SOBRE A RELVA DE ALVALADE
AOS GOLOS , AOS GOLOS
PELA PÁTRIA JOGAR
CONTRA A HOLANDA, GANHAR, GANHAR!!
Nita
Vamos lá Pessoal apoiar Portugal
Contamos com as preces da soror para a VITÓRIA!
A Vitória é nossa!
Olhei-o de frente e fiz-lhe a pergunta: - " Espelho meu, espelho meu, há, no mundo, alguma mulher mais bela do que eu?"
Pareceu-me que, por instantes, a luz lhe fugia. Pareceu-me ver uma sombra escapando-se por entre os reflexos do fundo. Era ele, o desgraçado, tentando abafar o riso. Então, corrigi a pergunta: - " Espelho meu, espelho meu, há, nesta rua, alguma mulher mais bela do que eu? ".
Maldito! Continuou calado. Ou seria surdo? Resolvi tentar de novo: - " Espelho meu, espelho meu, há, neste prédio, alguma mulher mais bela do que eu?" Perante a sua indisfarçada petulância, perante o seu mutismo, antes que o sorriso irónico aparecesse, antes de lhe atirar com um frasco de perfume que o desfizesse em mil espelhinhos, resolvi balbuciar, timidamente: - " Não, não há. Eu sei que não há..."
E, no entanto, eis-me aqui, belo exemplar da complexidade feminina, a travar um surdo diálogo com um... espelho.
Não, ingrato espelho, não estou a pôs em causa o teu bom gosto, imbecil. Ponho, sobretudo, em causa o que já conquistei - ou não - e, até mesmo, o que ainda pretendo alcançar na vida. Ah, sim, não dispenso esta sessão de masoquismo. Nem desejo que pessoa alguma venha criticar as minhas dúvidas existenciais.
Como o ser humano é complicado. Nós, mulheres, nem se fala... Não desistimos de mudar o mundo, de mudar o outro, de nos mudarmos, até que o mundo, o outro, nós... correspondam ao nosso ideal, que, paradoxalmente, sabemos não existir.
Isto da vida deixa não deixa de ser um bilhete da sorte grande! Quando pensamos que encontramos a porta do paraíso, reparamos que é só uma porta que nem se pode abrir de tão enferrujada que está.!
Descobri muito cedo que o Pai Natal é uma farsa, mas sempre tive a certezinha de que era a Cinderela. A versão recente e moderna da gata borralheira. Porém, os sapos encantados estão em vias de extinção, isto já para não falar dos princípes. Os poucos que há, estão sob as garras de alguma bruxa - má para nós, boa para eles.
Mas, enquanto finjo que não espero... vou sonhando.
Aposto uma parte - coisa pouca - do meu ordenado em cremes hidratantes, found de teint, cremes anticelulite, cubro as minhas unhas de esmalte fortificante, claro, para as proteger do efeito devastador do Fairy. Faço ginástica três vezes por semana - quando a preguiça não se apodera de mim ou quando não me dá para praticar corrida lenta a ver montras - para manter a rígidez muscular. Sim, porque o meu bom-senso - também não posso ter tudo mau... - recusa-se a aderir à moda do cem por cento sintético. Não como os chocolates que amigas de peniche me oferecem - dizem as revistas que não posso engordar e lá vou falando - raramente passo da conjugação deste verbo - em dietas e regimes espartanos. Sempre detestei a Inquisição, torturas, cenas de terror, e a visão do meu corpo transformado numa esbelta ninfa... esfomeada e em estado quase letárgico, não me atrai muito.
E tem mais - sou mãe! Uma mãe atenta, mas demasiado ocupada com os problemas domésticos, as compras, a profissão...
Porém, não sou de ferro. E tenho, por vezes, estas debilidades. Como a de hoje... perante o espelho.
Porra, déspota pedaço de vidro, custava-te dizer: - " Não, não existe. Tu és a mulher mais bela do mundo, a mais perfeita, a mais culta, a mais sensível... a mais idiota?!"
Idiota, sim. O tempo das princesas já era. E o dos princípes... já foi.
Deixo de olhar para o espelho e observo, atentamente, o Inácio. Qual Inácio? O peixinho vermelho que tenho no meu quarto, suas mentes poluídas.. Não tem possibilidade de fugir: roda e roda, noite e dia. Come, quando lhe dão de comer, e, entretanto, roda. Isto é a morte, sem o grande sossego da morte. Às vezes, sinto-me assim. Olho-me ao espelho e vejo uma mulher presa entre paredes de vidro. Não tenho possibilidades de fuga. Rodo. Quem disse que circular é viver?!
Quem foi o néscio que inventou o espelho? Narciso, claro. E teve um rico fim...
Sinto-me um disco riscado ou um CD estragado. Neste reino, que se activa por magia e em circunstâncias que não sabemos bem definir, a nostalgia pega fogo e ateia a tristeza. E esta destrói tudo. Destrói as expectativas, rodeia de sombras as certezas e faz-nos ver tudo negro. É nestas alturas que temos uma pena imensa de nós mesmas, sentindo um vazio infinito cá dentro que nada - bolas, há por aí algum perito em Freud? - nada mesmo parece poder preencher.
Volto a olhar, desafiadoramente, o espelho. Estás feito, podes crer, se não respondes o que deves. E, saboreando, antecipadamente, a morte daquele repugnante Judas, pergunto: - " Espelho meu, espe... "
" - Mãeeeee, viste a minha mochila?" - grita uma voz estridente e impaciente.
Olho para o inimigo. Ele olha para mim. Desafio. Luta de titãs.
De repente, alguém entra, qual turbilhão, no quarto e diz: - " Mãeeeeee, viste a minha mochila? Mãe, que tens? Sentes-te mal?Que fazes, tipo esfinge, em frente ao espelho? Estás linda. És a mãe mais bonita do mundo. Viste a minha mochila? Despacha-te!" . E o turbilhão sai tão rápido como entrara. Esquisito, dá a impressão que o espelho empalideceu, diminuiu, perdeu poder. O rosto que reflecte apresenta-se confiante, feliz, radioso.
Espelho meu, espelho meu, sou a mãe mais bonita do mundo!
Annaha
Num pequeno barco
Soltei minha ilusão.
Num mar de ondas brancas
De vento em popa navegou,
Percorreu neste mar calmo
Milhas de felicidade,
Envolto em mansidão.
Mas eis que no horizonte
Nuvens negras se divisam,
Ameaçadoras o céu cobrem.
O vento mudou seu rumo
Minhas velas se rasgaram
Meu veleiro destroçou
Em rochedos de ódio,
Para o fundo transportou
Meus haveres minhas vontades.
Minha vida perigou
Mas à força do meu querer
Este mar eu vencerei
E para mim sempre saudades
Desta viagem guardarei.
Nita
23.11.85
Eugénio de Andrade em «Os Dóceis Animais»

Aquilo que vou narrar-lhes não pertence ao domínio da ficção. Aconteceu realmente, e deixou-me uma lembrança sorridente e comovida desses tempos. O "episódio" decorreu numa antiga escola secundária do Porto - labiríntica e em ruína quase completa, o que é normal no nosso país - onde eu leccionava literatura a turmas do ensino recorrente secundário nocturno. O meu "público" era, habitualmente, constituído por pessoas na faixa etária dos 20 aos 50 e... Pessoas maravilhosas, empenhadas, gratas, a quem eu tive a honra de poder transmitir algum conhecimento e que, em troca, me presentearam com enciclopédias e enciclopédias de vivências extraordinárias e únicas. No primeiro ano em que entrei para a dita escola, vi-me a deambular por corredores e mais corredores, pavilhões, blocos, catacumbas - era assim que chamavam à parte correspondente à cave. Daí o poderem imaginar como o meu passeio estava a ser agradável... - procurando a sala onde estaria a turma "x" - melhor apelidá-la deste modo, não vá algum dos leitores ter feito parte da mesma. Ei-la, finalmente. Entrei, sorri e... parei petrificada. Acreditem que ainda hoje rio ao imaginar a minha cara perante aquela plateia tão... tão especial?! Grande parte dos alunos eram freiras - as chamadas irmãs - e aquele leque vastíssimo de véus quase me levou, compulsivamente, a benzer-me e rezar um pai-nosso ou uma avé-maria. De surpresa em surpresa, de espanto em espanto - e ainda mal refeita do espectáculo daquela hoste cristã - eis que vejo surgir um venerável, mas rijo, ancião - qual velho do Restelo, mas sem barbas. Mais tarde, soube que tinha cerca de oitenta anos e que já fazia parte do mobiliário da escola - que, diringindo-se a mim, pareceu dizer (reparem no pormenor do "pareceu"): "Vossa Excelência... ". Instintivamente, olhei para trás, pensando que algum elemento do Conselho Executivo tinha entrado sem eu dar por tal. Não. E agora ouvia nitidamente: "Vossa Excelência importa-se de confirmar se o meu nome faz parte da lista desta turma?". Habituada a outros tratamentos, a minha cara devia ser o reflexo da minha perplexidade. Não bastavam as irmãs, ainda tinha um aluno que me tratava como se eu fosse a madre-abadessa! As semanas e os meses passaram. Os véus passaram a ser décor indispensável, e o meu venerável aluno um verdadeiro bico de obra. Porquê? - perguntarão. Pois, é que ele tinha uma memória prodigiosa para datas. Sabia a data de nascimento e da morte de todos os escritores e dos seus familiares mais próximos. Não contente com isto, sabia o local onde estavam enterrados, a alameda e até o número da campa. Luta inglória a minha com semelhante adversário. Rendi-me. O mais engraçado é que ele comentava as efemérides sempre deste jeito. "´Saiba Vossa Excelência que ele morreu com cirrose, no hospital "y", está enterrado no cemitério "w", na campa número... Aconselho-a a ir visitar. É um belo passeio!". A cena mais hilariante foi quando, estando eu a dar Pessoa e os heterónimos, falei nas cartas de amor do grande poeta. Imediatamente uma das irmãs perguntou: " Ele casou?" Como pude, e para não entrar em pormenores que chocassem aquelas cândidas almas, comecei a explicar que só se lhe conhecia uma namorada, que... De súbito, o meu arguto e conhecedor aluno interrompe as minhas lérias e sai-se com estas sapientes palavras: "Saiba Vossa Excelência que Fernando Pessoa era sexualmente impotente!"
Do fundo do mar sem fundo,
Emergido do meu sonho nocturno
Em vagas de desejo renovadas,
Forma-se uma vaga gigante de emoção.
Do coração outrora inerte e magoado
Pulsa agora um ritmo inquietado
De perplexidade ante imensa comoção.
O dia despontou no horizonte...
Acordei exausta e tumultuada,
De esperança a alma impregnada.
No horizonte uma palete de cores, pinta
A aurora de tons quentes e amores...
E sorrio,
Renasço,
E transcendo,
O coração outrora inerte e magoado.
June

Como um pássaro
Livre, batendo as asas
Voando ao sabor do vento
Alegre e sem problemas
Sorrindo à vida
Eu sei que sou...!
Como um Homem
Preso ao Mundo
Pelas grades da vida
Pela cadeias da servidão
Eu não quero ser...!
Nita
Tudo por vocês
Com amor, vou fazer
E ainda é pouco, podem crer
Pelo que me têm dado
já me chega, obrigado
Sei que não
Para dizer a verdade
não vos dou nem metade
do que me dão
Pelo que me têm feito
vou trazer-vos no peito
Vosso amor não tem preço
e por isso eu mereço
vocês ainda mais
Por isso eu vou
dar tudo, eu vou
ROTAS
Quando as tuas mãos
Ávidas de procura
Navegam na rota do meu corpo
Ávido de entrega
Às emoções virgens do gesto
Eis o instante pleno
A descoberta
A deriva mais navegável
Annaha
Um feixe de luz trespassa a pele.
Circula pelo sangue, vibra e ao atingir o coração - com sua melodia de lumes e de ecos - transforma os ritmos imutáveis das seivas e das artérias.
Sempre foi difícil mergulhar para dentro de um corpo.
Não se sabe se haverá regresso e ele não pode afirmar:
- A vida do meu corpo é a minha vida.
Porque aquele que percorre o escuro das veias, arde - e os astros que levava consigo ficaram envoltos em chamas.
As mãos azuladas cobrem-se com esta cor esbranquiçada, que mais não é do que um presságio de cinzas. E o corpo, com suas texturas e viscosidades, é o túmulo da noite.
Nele coagulam os fogos celestes e se apagam as paisagens.
Lavradas as terras dos mortos, ele vai pela insónia dos vivos.
Avista outros corpos que levantaram voo com as aves e desaparecem, para lá do brumoso fio do horizonte.
Espreita pelo microscópio. Nos dedos já não cintila a generosidade dos homens.
Os corpos adquirem a dimensão do desejo que não tiveram - desenvolvem as suas próprias pestes.
E das pálpebras fechadas onde pernoita exclui as efémeras imagens do mundo. Perdeu-se onde não há nomes.
Um dia, saber-se-á se de uma destas gotas de vida irromperá um deus ou um insecto, um homem ou uma planta.
Resta-nos, por agora, observar aquilo que não veremos crescer e tomar forma conhecida.
Não se pode nomear o que estremeçe e começa a erguer-se.
[...]
Al Berto em «O Anjo Mudo»
Não tenho mais palavras
Gastei-as com as minhas lágrimas entristecidas!
Dor...
É aquilo que sinto hoje,
Memórias de hoje, de ontem e de amanha...
De tristes histórias da minha vida,
Talvez um dia sejam motivo da minha partida...
Caem-me as lágrimas...
Caem-me as palavras...
Enrolam-se na terra seca,
Secam com a aragem da noite quente!
As minhas lágrimas vão rolando
queimando minha face!
As minhas palavras emudeceram!
Só a dor...
Só a dor que sinto neste dia...
Só a dor sinto...
Só a dor...
Só ela que me faz sofrer!
Sandra
26 de Junho
Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.
Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
--- Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor
Miguel Torga
Espero que apreciem este belo poema como eu desde que o li a primeira vez. Para todos vocês com muitas beijocas :)
SOMOS PORTUGUESES AQUI E AGORA
Embrulhada nesta manta vastíssima de patriotismo verde e vermelho, dou por mim a olhar embevecida para a bandeira do meu país e a sentir um orgulho imenso em ser portuguesa. Não que fosse partidária do slogan - o que é estrangeiro é que é bom.Não compre produtos nacionais! Longe disso. Mas esta (até agora) passividade de carneiros, este deixar andar... que amanhã logo se vê, este não te rales... que até podia ser bem pior, este conformismo... como se tivéssemos sido condenados a arrastar pesada cruz eternamente, este fatalismo hereditário com que somos fadados à nascença, tudo isto, meus amigos, torna-nos um povo cinzento, cinzentinho, cinzentão. E revoltados. E sofridos. E irritantemente submissos. E descoradamente humilhados. E pacientemente ofendidos. Mas sem genica, sem resposta, sempre à espera de mais uma visita da Senhora de Fátima, de um milagre, desses que são apenas para uso doméstico. Melhor entrar no reino do maravilhoso, pensam alguns temerosos, do que levar um abanão que faça o país tremer de uma ponta a outra. Será? Eu, pelo sim pelo não, sou apologista do tal abanão que nos faça retornar às origens e que nos retire este fatal estatuto de bonzinhos, mas de uma inércia tão doentia, tão contagiosa, que fará, mais dia menos dia, levantar da tumba a padeira de Aljubarrota.
Messiânica? Defensora do mito sebastianista? Não tenciono seguir os passos do Bandarra, acreditem. Mas este entorpecimento, este jazer adormecidos, esta vontade de ir, sempre ficando, começa a ser irreversível.
Porém, o ser humano é deliciosamente imprevisível, loucamente mutante. Assim, bastaram dois jogos de futebol, uns quantos golos - abstenho-me de referir a técnica dos mesmos, porque sou um zero no assunto - umas centenas - milhares? - de invasores bárbaros, para que eu, tu, nós gritássemos, jubilosamente - somos portugueses aqui e agora!
Sou portuguesa, meus amigos. Descobri, finalmente, a minha nacionalidade. Vivo neste jardim à beira-mar plantado e, embora torcendo o nariz à mediocridade balofa de certos homens da política, à mentalidade tacanha - as revistas de coração chamam-lhe "in" - de alguns - muitos - senhorecos e senhorecas, assumo de viva voz o meu estatuto de portuguesa, não orgulhosamente só, mas orgulhosamente convencida de que, para que a obra nasça é preciso muito mais do que acampar nas fronteiras voluptuosas do sonho, do imaginário, do faz-de-conta. É preciso querer, suar, lutar, não desanimar, insistir, investir e, sobretudo, é preciso que nos assumamos como uma vontade colectiva.
Assim nascem os heróis. Assim nascem os mitos. Assim dei por mim a cumprimentar os meus vizinhos, no elevador - suponho que ignorávamos completamente as nossas existências - como se, por artes mágicas, de um momento para o outro, as nossas vidinhas, empanturradas de superficialidades, perdessem a cor cinzenta e ganhassem um colorido verde e vermelho. Verde de esperança. Vermelho de paixão. A paixão com que devemos impregnar tudo o que fazemos, ainda que seja o assistir, nervosos mas confiantes, a um simples jogo de futebol.
Estamos, então, na era dos novos heróis. Não somente porque marcam golos, mas, essencialmente, porque são capazes de dar um novo alento a todo um povo viciado, há tanto tempo, a ver o vento calar as desgraças...
Isto não pode nem deve, contudo, fazer-nos esquecer os outros, os não menos heróis, os que lutam desesperada, estoicamente contra a incompetência e as falhas a vários níveis - saúde, educação, justiça... A lista é demasiado longa e a tarefa destes heróis anónimos é árdua e, quase sempre, inglória.
Desejo, ardentemente, que estes heróis - os tais filhos de um deus menor - tenham aprendido uma lição com a nossa selecção. Que mesmo que força pareça/seja desigual, ainda que o suor e as lágrimas se confundam, não baixem os braços. Não desistam. Não calem a desgraça do vento que passa.
Sejamos todos portugueses aqui e agora, mas de cabeça erguida, unidas as mãos, e saibamos escrever a nossa história, o nosso futuro, as nossas vidas a verde e a vermelho. Verde de esperança! Vermelho de paixão!
Annaha
Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido
Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido
E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer
Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer
Ruy Belo, Homem de Palavra[s]
Lisboa, Editorial Presença, 1999 (5ª ed)
Como aquele raio de luz
que na imensa escuridão do Mundo
Faz nascer de novo a esperança.
Como aquela pomba branca
que risca o azul do céu
e transporta em cada asa
uma mensagem de amor e paz.
Como aquela água cristalina
que murmurando de pedra em pedra
corre até à fresca fonte
e dá a quem a bebe mais alento e vida.
Sê Tu! E faz:
Daquela luz, daquela pomba, daquela água
A tua Páscoa!
A tua Vida!
Nita
Nota: Para as minhas sócias, com muita amizada e carinho!**
Altiva e esquiva
Olhar de serpente
Move-se ondulante
A dama da noite.
Abre os tentáculos
Envolve os incautos
Precipita no abismo
O fascínio da noite.
A atmosfera gela
Sucumbem os sonhos
Emergem medonhos
Pesadelos imensos.
E a dama da noite
Prossegue a viagem
Espalhando negrume
À sua passagem.
June
We are the champions my friend.
And we'll keep on fighting till the end.
We are the champions. We are the champions.
No time for losers 'cause we are the champions
of the world.
Queen
CUSTOU-ME SANGUE MAS GANHÁMOS!!!!!!!!
VIVA PORTUGAL !

Refrão
Deus proteja a selecção
No jogo com os ingleses!
Deus dê força e união
A todos os portugueses!
Deus proteja a selecção,
Dê talento aos jogadores,
Ilumine o Flipão
E lixe aqueles estupores.
Estupores? Quem são eles, afinal?
Os ingleses, claro,
OS QUE NÃO VÃO À FINAL!
Deus proteja a selecção
No jogo com os ingleses!
Deus dê força e união
A todos os portugueses!
Deus proteja a selecção,
Dando aos ingleses chá,
Pois a táctica do Ericksson,
Essa já é conhecida,
Põe a Victoria sentada
Com aquele ar convencido,
A assistir ao evento,
O Beckham fica assustado,
Coitado, perde tesão,
O Rooney já não vai lá,
O Simão manda pró Figo,
O Figo atira ao Gomes,
O Gomes lança pró Deco.
E é GOLO! GOOOOOLO!
Aos ingleses dá um treco,
Os portugueses deliram,
A bandeira é hasteada,
O hino toca a primor
É PORTUGAL VENCEDOR!
Deus proteja a selecção
No jogo com os ingleses!
Deus dê força e união
A todos os portugueses!
Soror Annaha
Nota: como desta vez não tive aparições , deixo este texto em jeito de oração. Confiem, irmãos
NÓS PODEMOS GANHAR! NÓS VAMOS GANHAR!
Já comemos as TAPAS...
Agora venham os BIFES
Bora Todos dar força à Selecção!!!!!

Na noite de S. João,
quis-te fazer uma quadra;
tu e eu de mão na mão,
só os dois óh minha amada!
gentilmente enviada por um dos nossos visitantes
AMANHÃ...aqui no Indefinido vamos fazer um arraial à maneira juntando arengas e orações à SELECÇÃO.
Hoje já fizemos um ensaio...e tá aprovado! portanto BAMOS LÁ TODOS A APARECER que vai ser divertido!!!!!
INDEFINIDO TEAM
Nenhum santo é menos santo
Por estar numa cascata
Que um pobre ergueu, com encanto,
Num simples bairro de lata.
Ris de mim por não ser novo!
Cautela, que na noitada,
Até mesmo um velho ovo
Pode dar boa gemada.
Com saia tão reduzida
Cuidado com os "calores"
Porque na festa da vida
Há santos e pecadores!
Meu amor, teu alho-porro
Namora o meu manjerico...
Quando se beijam, sem gorro,
Que sobressaltada eu fico!
Que bom esse ar de zangada
Porque, amor, uma fogueira
Quanto mais for arejada,
Mais depressa faz braseira!
A nove meses nasci
Da noite de São João.
Agora que já vivi
Vou manter a tradição
Jornal de Notícias no Concurso (71º) - Algumas quadras premiadas
Lágrimas sem sal
transformam oceanos
Lágrimas sem doce
inundam meus olhos
Lágrimas sem condimento
Lágrimas sem motivo
Lágrimas sem sabor
Lágrimas sem atrevimento
Lágrimas sem vapor
São lágrimas este meu mar!
Minha vida, uma ilha!
Isolado do amor
mergulhado na dor
de não ver o futuro
sem lágrimas...
de não querer magoar
de ser amado
e não magoado.
São lágrimas a minha vida.
São lágrimas este meu fado
São lágrimas sem saudade
Lágrimas... são lágrimas
Filipe
um verso de cada vez
e amanhã quem sabe
eu acabe de te escrever
desenho as letras
com cuidado e imaginação
uma de cada vez,
como se cada uma fosse a última
um verso de cada vez
ao ritmo do coração
melodicamente perdido
com vontade de te ver
virgula, dois pontos
travessão e ponto final
na história do desprezo
um verso de cada vez
e na sua transição
amo-te mas não te quero
não mereces, brincaste
e continuas: fria, mentirosa
é o fim, eu sei
tu quiseste assim
mentes, gozas e sonhas
Apenas falas comigo
para alimentares o teu ego
Pára! Já chega!
Um verso de cada vez
e irei chegar ao fim
deste amor vergonhoso
sem chuva, sem sol
Não queres falar não fales.
Mentirosa! Acabou!
Filipe
PORTO
Na minha cidade, esculpida a granito,
há um encantamento que persiste em
entrar, sorrateiramente, nesta tentativa
de poema. Ele serpenteia por entre as
palavras, demora-se no sentir e descodifica
irreveláveis sentimentos. Quem pode resistir
ao fascínio frio e austero das velhas igrejas,
ao ícone que é a Ribeira, à Foz, ao rio que
se junta ao mar, ao azul que nos forra a alma,
aos jardins por onde deambula a solidão salpicada
a verdes e castanhos, aos cafés onde nascem
palavras e sonhos envolvidos pelo fumo do
cigarro, e onde eufóricos gestos se misturam
com gestos cansados mas,ainda assim,
molhados na poesia da sempre invicta e leal
cidade de Garrett, que persiste, altiva, serena,
em elevar bem alto o culto da sua memória,
trespassando o tempo e reinventando um novo
Porto pelos caminhos do ontem e do agora?!
Annaha
E como hoje é véspera de S.João... aqui ficam as tradicionais quadras
S. João, meu rico enlevo,
Dá-me sorte nesta hora.
Quatro folhas tem o trevo,
Mas não sei onde ele mora...
Eu fui saltar a fogueira,
Não pensando em me queimar.
S. João, que grande asneira,
Não pensei ir tropeçar.
Tropecei no teu olhar,
Nesse sorriso maroto,
Só pensei em te amarrar
E o laço deu-me pr'o torto!
Uma boa noitada, muita folia, saltem a fogueira, "queimem" o coraçao e não se esqueçam de largar um balão!
Annaha (que não sabe como veio parar a "casa" da June??? )
Embutida no peito, cravada a fogo, fulgura a memória obsidiante de uma chama oculta mas presente, invisível, dolente, ora névoa, ora sol, ora gelo que entorpece e pasma o vento, desmaiando a nortada em ténue brisa que refresca as faces rubras de emoção.
Num espelho de água reflectida revejo a minha imagem envolta em fogo, labaredas cintilantes, o rosto plácido, a dor sorrindo a compasso do pranto de uma alma inquietada.
Já não ouço o silêncio, ouço o crepitar do fogo, que se adensa insistente, adentrando-se na alma, ali jazendo, palpitante, vivo, sem pecado original ou redenção.
Parte de mim observa, tiritando de frio e medo a outra parte que incendeia explodindo em labaredas de vívida exultação.
O todo que de mim sobeja é a memória de uma chama oculta que não esmorece mas a cada momento se renova.
June
O meu lugar é aqui
Perto da vida e de ti!
No teu incessante passo,
Em teu peito, teu regaço!
Posso tatuar-me na tua vida?
Perfumar teu coração?
Amor, o meu lugar é aqui...
Perto de ti...
No teu abraço de amante...
No teu sorriso constante!
Posso oferecer-te a magia?
Posso entregar meu coração?
O meu lugar é aqui
Sentada em incensos de aromas sonhadores!
O meu lugar é perto de ti amor
Abraçada ao teu olhar
Enamorada pelo teu sorriso!
Está gravado em meu coração...
cada palavra, cada carinho,
cada amor, cada gesto!
Está gravado na minha pele...
O teu cheiro,
A tua pele!
Está gravado na mente esse teu sorriso
De menino maroto
De criança apaixonada
De um amor... tatuado em mim!
Amor pertenco aqui, à tua vida
O meu lugar é aqui,
Abraçada e enamorada por ti!
Sandra
Para o meu amor :)
...E a noite fez-se dia.
O pesadelo tormentoso implodiu
Na dormência interrompida,
Pela claridade de um sol reinventado.
O claustro nocturno abriu-se ao mundo
Onde a agitação da urbe,
Não permite a sólida reclusão.
A multidão abala os meus sentidos,
Incrédulos, vacilantes, proibidos,
Ansiosos de uma vã libertação.
A cidade imensa reprime o meu compasso
Obrigando-o ao seu ritmo desumanizado.
E eu, que nada sei, apenas sou
Aquela que anseia liberdade,
Longe do claustro nocturno que invento
Longe da urbe que proíbe a solidão.
Algures num espaço imaginado,
Coabitam a serenidade e a agitação
E nesse espaço sou então presente,
Os meus sentidos derramam-se sem impedimento
Ao encontro do pulsar da multidão.
June
Paredes caiadas da vida
Plastificados momentos de amor
Sinos memoráveis de vitória
de glória, de fama...
Obrigada Mundo..
Por dias como estes!
Telúricos sentimentos meus,
problemática sensação tua,
Risos, lágrimas, insultos
de paz ou raiva...
Obrigada Mundo...
por segundos como estes!
Abraços momentaneos que,
no meu peito duram infinitos segundos
Olhares cruzados de alegria
Suaves toques de carinho...
Obrigada Mundo...
Por AMIGOS como estes!
Nita
Tens coragem de amar ?
Tens coragem de imaginar
de optar pela vida sem retorno
na lembrança fugaz de um beijo?
Tens coragem de ser
a onda, o vento, a força...
Tens coragem de viver
sem restrições, limites ou leis?
Tens coragens de perseguir
sonhos ou ilusões
de estares infeliz por não estares completamente feliz?
Tens coragens de admitir isso a ti própria?
Tens coragem de amar?
Ou é o medo que percorre o teu pensamento
na lembrança de um olhar?
Tens coragem de infringir
penas aos limites da paciência,
mesmo quando não há retorno possível à inocência?
Filipe
Restas-me tu. Mas estás ausente, embora te sinta presente e vá sempre desaguar a ti. O que me leva a folhear as nossas vivências? Talvez o facto das lembranças serem doces, perfumadas, e eu me sinta como um velho navegador solitário que vai aliviando o coração à medida que avista porto seguro, depois de transpor o cabo das tormentas. Adivinho ainda escolhos a dobrar, mas não quero morrer sem encarar todas e cada uma das minhas penas. E tu és uma delas. Restas-me tu. Mesmo que seja só em lembrança. Por isso a saudade conduz os meus passos e o meu desejo até ti. Vem ajudar-me. Transforma a minha pena e o meu anseio em suave abraço e diz que não houve tempo antes de nós. Oculta-te na sombra, evapora-te na chuva, ausenta-te na névoa, dissipa-te na espuma, mas sufoca-me de amor, dizendo com o lume nas palavras - restas-me tu!
Annaha
Nota: dedico este texto a todos os apaixonados

LOS VERSOS MAS TRISTES
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos".
El viento de la noche gira en el cielo y canta.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.
En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.
Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.
Oir la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.
Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.
Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.
Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.
La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.
Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.
De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.
Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.
Pablo Neruda
Está tudo pronto? Dá-lhe gás! (desconheço autor)
Três, dois, um, vai arrancar.
uma espécie de hino em versão popular
sem coisas de mão no peito e ar pesado
2004 o campeonato vai mudar o nosso fado
do coitado, do conformado, do comido
Porque é que o país se queixa do que podia ter sido?
Mas nunca é. E a culpa nunca é nossa
é do árbitro, é do campo, é de quem nos deu uma coça.
Chega. Queremos mais, é um murro na mesa.
Um grito do Ipiranga em versão portuguesa.
Porque até hoje, quase marcámos, quase ganhámos, quase fizemos.
Mas porquê quase? Passemos à próxima fase.
Marca mais!
Corre mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!
O conceito é muito simples: não desistir.
Mas será que é chato aquilo que acabamos de pedir?
É chato agora, acreditem no que digo:
nós jogamos em casa e contamos com o Figo,
o Rui Costa, o Deco, o Simão e com o Pauleta.
Razões para querermos mais que um lugar que não comprometa.
Será demais pedir a taça?
Nada que um adepto com orgulho não faça.
Bonito, bonito, é dar o litro,
não por as culpas no gajo do apito.
Vá lá gritar, noventa minutos, cento e vinte, o que for
do princípio ao fim, por favor.
Vamos lá people, afinem-me essa voz
No fim, só ganha um. e temos que ser nós.
Marca mais!
Corre mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!
Joga mais
Sua mais
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!
Nem custa tanto assim imaginar a vitória
no fundo, é só uma soma de momentos de glória.
Era bonito. Um abraço aqui, um abraço ali.
Abraço toda a gente, abraço quem nunca vi.
Vamos lá transformar isto numa grande festa
Sem pressão, Selecção, és a esperança que nos resta
Por isso, escuta: não te esqueças que a sorte protege os filhos da luta.
Não levem a mal a exigência
Mas para empates e derrotas já não há paciência.
Queremos mais, muito mais, menos ais
Scolari, já vimos aquilo que " cê é capais".
"Cê " sabe que para ganhar é preciso ter fé.
E a bola no pé. Yo !!!
querem mais?
Então " baza" lá vamos lá outra vez
Quem não salta agora aqui não é português
Sempre com o desejo de cantar na final
"levantai hoje de novo o esplendor de Portugal".
tudo a postos...
Vamos ter fé uma vez na vida
e acabar o europeu de cabeça e de taça erguida.
Se temos saudade, temos vontade, temos saúde, temos atitude
Se temos tudo, de que é que o português se queixa?
Era esta a vossa deixa.
Marca mais!
Corre mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!
Joga mais
Sua mais
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!
FORÇA PORTUGAL !!
Heroica e lusitana gente vamos em frente mas combictamente,
Vá lá cambada infantes desportistas, homens de conquistas, povo que és o meu
bola redonda e onze jogadores em frente sem temores que as tácticas dou eu
Tragam as gaitas, as bandeiras e a pumada, vamos dar-lhes uma abada, ensinar-lhes o que é bom
vamos mostrar a esses carafunchosos, por momentos gloriosos, quem é a nossa selecção
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é Portugal
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é Portugal
É atacar agora e defender para fora, uns são toscos e nem dão para a aqueçer
Suar a camisola e até jogar sem bola e disfarçar para o árbitro não ver
No intervalo, solteiros contra casados, fandangos, chumgas e fados para aprenderem como é
durante o jogo, qualquer caso lá surgido só pode ser resolvido à cabeçada e ao pontapé
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é Portugal
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é Portugal
Os portugueses já provaram muitas vezes saber ser uns bons freguezes das grandes ocasiões
nesta jornada, nem que seja à pantufada, nós estaremos na bancada muito mais de dez milhões
Força Portugueses !
Viva Portugal, Portugal, Portugal...
Viva Portugal, Portugal, Portugal...
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é Portugal
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é efectibamente futebol total
Temos de ter muita coragem, muita força, pensem nos vossos antepassados có nada, muito orgulho, muita vivacidade
E vai.. e um, dois, e um, dois...
E vai lá... e cruza... e é golo, e é GOLOOOOOO
Bamos lá cambada, todos á molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é Portugal
E para os adeptos que quando Portugal perde os chamam de meninas e quando Portugal ganha os chamam de heróis... bamos lá cambada... apoiem sempre PORTUGAL!
Diria num português nortenho.... ATÉ OS COMEMOS!!
ELE é amor
ELE é amor
ELE é amor
Verdade e vida..........óóóóóóóóó...
(Ouve-se este cântico mavioso mal é aberta a página do Indefinido. Se não o ouvir... está com problemas de audição.)
Parece que requisitaram os meus cânticos e as minhas orações. Estou aqui, irmãos. Deixem-me só acabar o refrão deste cântico que não é gregoriano mas imita bem: óóóóóóóóóóóóó........... óó!
Gostou, irmã June? Que tal, irmã Nita? Encantei, irmão Flip? Quer mais, irmã Sandra? Ficou deliciada, irmã Annaha?
Pois eu também gostei muito de ler a vossa mensagem, o vosso apelo, Deus seja louvado! Vê-se que estão muito devotos. Continuem e vão fazendo muita penitência que têm o caminho assegurado para o céu e o jogo de amanhã no papo… dos anjos!
Adivinhei – o poder da oração é grande - que a razão do vosso chamamento é , efectivamente, o jogo Portugal/Espanha. Pois é, irmãos, isto só lá vai com muita reza e luta, muita luta por parte dos nossos jogadores, esses grandes filhos da luta.
Devo dizer-vos que a Victoria – sim, a do Beckham, esse homem tão bom, quero dizer, esse bom homem… ai como ele é bom… - também tentou requerer os meus serviços e as minhas orações. Mas o meu espírito patriótico e aqueles ais daquele mocinho sempre a pedir mais, coitado, mostraram-me o sentido do dever. Assim, ergui os olhos ao céu, pensei no Figo – que homem bom, também, mas fraco goleador, digo eu… - pensei no Pauleta, no Deco, no Simão, no Rui Costa e disse: “- Senhor ilumina estes homens tão bons! Dá-lhes força naquelas ricas pernas e pontaria, muita pontaria… Ó Senhor, e faz soprar maus ventos - se possível um vendaval - para o lado dos espanhóis. Pois, eu sei que eles até vão ter o rei a assistir, mas não apregoas tu estar sempre do lado dos mais pobres, dos mais carenciados? E os portugueses andam tão carenciados, Senhor… Até eu, meu bom Deus, até aqueles irmãos do Indefinido… Pecadores? Não, meu Deus, aquela festa do pijama foi muito recatada. Se a irmã Moura até foi de camisa de flanela às florinhas… Não, omnipotente, não estavam nus… estava muito calor, e a pobre da irmã Nita suava tanto… Colar cartazes, meu senhor, faz suar… Coitaditos, agora andam todos apaixonados, vê lá tu… é só amor… Tenho pena deles, mas cá para mim aquilo foi penitência a que eles se sentenciaram em prol da nossa selecção. Ou então alguma anomalia naqueles corações... Almas tão cheias de paixão, sensibilidade, tão esmeradas, educadas, cheias de talento… Não são como esses desavergonhados espanhóis que só sabem escrever - bésame... bésame... uma pouca vergonha.
Diz o meu santo frade que onde está a lua cessam as estrelas... mas a que propósito diz ele isto? Perdi o raciocínio... Não abusarei, por isso, da paciência de pessoas que me são tão caras. Vou para a intimidade da minha cela fazer as minhas orações e rezar muito por todos. Fiquem sossegados, irmãos, enquanto estava a escrever esta espécie de epístola aos curiosos, aficionados e dedicados leitores do Indefinido ouvi uma voz que me disse: “ Diz aos portugueses e a esse sujeitinho chamado Scolari que o segredo está no que disse o Alexandrino, o Sábio – FIRMES E HIRTOS”.
Será capaz a nossa selecção de decifrar este enigma?
Que a paz vos acompanhe!
Ah! Ainda há mais, agora me lembro. Foi mais ou menos isto que a tal voz me sussurrou:
QUEM JOGA CONTRA A ESPANHA OU PERDE… OU GANHA!
Soror Annaha
nota: agradeço a imagem gentilmente cedida pela Moura bem como as rezas da Nita
Eclodirá um planeta
Onde a horda de impuros esmaece
E o Homem-planeta é fortaleza,
Que constrói da vida o pilar da Esperança.
Os lábios gretados de sede das crianças,
Abrir-se-ão em húmidas pétalas sorridentes
- a Criança-planeta soltará gargalhadas -
O som amplo e cristalino,
Ecoará como música no Futuro-planeta.
O lodo imundo que conspurca, agora, a Terra,
será Terra-planeta verdejante de fartura.
A guerra imunda de tão inconsistente,
Não encontrará solo firme onde assentar,
Porque o Homem-planeta nascerá poeta
e as odes triunfais e versos do Homem-poeta,
Vestem-se de palavras amantes de nobreza.
Quem isto não entender irmana a horda antepassada...
E a horda esvair-se-á em vento, em vácuo...em nada!
Ao Homem-planeta sobrará distante,
um sonho vago de uma Terra ensanguentada.
June
Ouço tua voz doce e serena
De anjo rendido...
Calando-me os breves sentidos
Mimando meu olhar
Em gestos ternos e meigos!
Sinto teu abraço
que todas as noitas me ampara
e me embala como um doce bebé
Até que o sono me leve!
Respiro o teu olhar
que me fita em sorrisos!
Ouço-te a entrar pé ante pé
e vejo as rosas que tentas esconder...
Vermelhas... adoro...
são as minhas preferidas!
Beijo-te...
Sinto teus lábios de mel
Em meus lábios de sabor a morango!
Respiro o nosso amor
Em memórias...
Amo o nosso amor
Nas tuas memórias... anjo!
Memórias de um anjo
Do meu anjo... enamorado!
Memórias de todos os dias...
Longe ou perto...
Memórias do nosso amor...
Memórias de ti!
Sandra
19/06/04
Como me sinto feliz
quando me fitas com teus olhos...
Eles dão-me vida!
Tu dás-me confiança!
Não deixes de me fitar
com teus olhos escuros, tentadores.
Esses olhos que admiro,
que invejo e tanto desejo!
Ah! Mas tu... tu nem dás por isso,
ou será fingimento?
Que escondes tu? De que foges?
Diz! Diz-me que sentes o que eu sinto.
Diz que me queres como eu te quero!
Pois é... se assim fosse.. não terias que partir,
não terias que fugir,
e as nossas vidas permaneceriam para sempre
inevitavelmente unidas!
Nita
Erro vergonhoso
a vergonha
no bico da cegonha
que tarda em chegar
Andará perdida
ou não quer a boa-nova dar?
Oh cegonha, não tenhas vergonha
mas diz que ventos te levam.
Ainda vens?
Diz que sim
e deixa-nos descansados
na sombra da felicidade
imaginando a tua chegada
Por favor, diz que sim.
Não tenhas vergonha
pois sem ti o céu
jamais será estrelado
a vida deixará de ter sentido
e a solidão um dia irá apertar
Vens, não vens?
Diz que sim.
Filipe
De: Alma
Para: Mente
Assunto: Emoção VS Sensatez
Já te expliquei que a sensatez não é uma prática hermética e absoluta de quem de alma é complementado! Há sempre uma dose razoável de loucura e emoção que tempera a sensatez.
Tu recusas-te sistematicamente a perceber o que te digo e tornas-te impertinente nessa recusa, ela própria um paradoxo, por tão ausente de sensatez! Não é sensato recusar perceber quem nos explica uma visão diversa e plausível da realidade.
Eu tenho alma e sinto e nesse sentimento está implícita a minha subjectividade, por oposto, à ausência de sentidos da tua objectividade. Mas ambas se complementam e é esse o teu grande lapso! O mundo objectivo e racional é uma negação da condição de ser humano. Com propriedade te afirmo que o homem sucumbiria ao gelo dessa racionalidade radical, muito embora entenda que a emoção exacerbada igualmente exterminaria o homem - ser frágil, invadido de dúvidas, angústias e anseios - que necessita de um equilíbrio de si próprio, doseando a objectividade que ofereces com a emoção em que o envolvo.
Ah, mas não, tu insistes na sobrevivência do homem-esfinge... E o que serve de contrapeso e te enfurece é saberes que, mesmo não me dando razão, não podes evitar que eu subverta os teus valores!
Magia...
Hoje apetece-me dizer ao mundo
Que te tirei duma cartola
Não és um coelho... nem uma rola...
Sou mágica... e tu és a minha magia!
Hoje apetece-me dizer-te
Que te tirei da cartola... da minha cartola negra...
para te amar...
Se eu te disser que a minha vontade é esta
tu acreditas?
Se eu disser que é proibido fugir de mim
tu ficas?
Se eu disser que a magia é o meu amor
tu abraças-me?
Se eu disser que te amo,
Se eu disser que o teu sorriso é o meu também,
Se eu disser magia...
Se eu fizer magia...
Posso viver contigo na minha cartola?
Posso ficar contigo na magia do nosso amor?
Hoje apetece-me dizer...
Apetece-me dizer...
dizer....
Que tu és a minha magia...
Mas eu quero ser a tua realidade!
Sandra
Chama...
Percorres o meu corpo
Ansiando os doces castigos
Em que te afogo
Nas minhas mágoas, nos meus prazeres!
Chama...
Queimas a minha alma
Deixas o meu sangue a fervilhar
Transpiro... transpiro-te!
Em cada olhar,
Em cada toque...
Inundo-te...
Num mar repleto de dores
Num jardim de prósperos amores
Chama...
Queima-me. Inunda-me. Assusta-me.
Une-te a mim
Numa fusão... numa explosão
Num só momento... numa só dor...
Sandra
Escuta o silêncio do meu espanto
Atenta a voz silente do abismo.
Rasga o estilhaço mudo do meu canto
E solta a voz inerte do meu peito.
Sossega o grito que alucina,
Impede a quietude que atormenta,
- Louco anseio que transcende,
A inútil voz que silencio.
June
Adoro pensar que pensas em mim,
imagino que sonhas
e que estás ao meu lado
no nosso jardim.
São sonhos sentidos
e perfumados com jasmim.
Sinto que trespassas o meu coração,
que tocas suavemente a minha alma,
e a tua ternura me acalma.
Adoro que penses que eu penso em ti,
imagines que eu sonho
que sou o príncipe que dá a vida
para salvar a alma da sua amada.
Nesse sonho transpirado
lutava com a minha espada
defendendo o nosso reino da solidão.
Expulsei num suor vitorioso a escuridão
fazendo nascer o amor eterno na nossa vida.
Se assim for o teu pensamento,
estarás a sonhar acordada,
vive então a realidade, não sonhes,
nunca deixarás de ser amada,
nem cairás num profundo tormento.
São sonhos diferentes, realidades iguais.
Vivemos num doce murmúrio de paixão,
entre nós não existe a palavra ilusão,
vivemos assim a realidade de um sonho.
Filipe
SIMBIOSE
Um homem e uma mulher
Acenam o tempo dos desejos floridos
Dos abraços em sequiosa busca
Dos enleios que perpassam na alma
E percorrem a nudez suplicante dos corpos
Um homem e uma mulher
Em simbiose
Bailando pelas voluptuosas praias do desejo
São a harmonia plena
Annaha
Embeber em realidade
A vertigem do sonho
Ignorar do futuro
A palavra fim
Agarrar o mito
Vivendo a fantasia do instante
Interiorizar a esperança
Esculpindo o tempo a golpes de coragem
Olhar para trás com ternura
Eis a vida devolvida.
Annaha
Quando sopra uma fresca brisa
no meio de uma tarde de calor
sou eu que estou contigo
Quando o mar está calmo e sereno
e apenas ouves o som das ondas
sou eu que estou contigo
Se estás bem, eu também estou
Se estás mal, também vou ficar
(mas não demonstro para que fiques melhor)
Se algum dia nos separarmos
ouve a dança do mar
Estarei numa parte qualquer
Será um voz vinda de longe
que te vai sempre abraçar
Quando tiveres momentos de tristeza
nunca te esqueças que eu estou aqui
Mesmo que seja apenas uma vez na tua mente
lembra-te que eu amava-te, amo-te e sempre te amarei
A distância nunca foi o motivo mais forte
para se apagar a chama da nossa paixão
Filipe
FESTEJOS
Hoje, vou vestir um ar folião,
Usar um sorriso de ocasião,
Engomado, disfarçado de alegria,
Daqueles que cativam os que adoram falsidades,
Cópias banais, dúbias verdades,
Irresistivelmente pintado a carmesim,
Dizendo que sim, dizendo que não,
Conforme o tempo e a ocasião.
Hoje, vou ataviar os meus olhos de miopia,
Ver baço ao perto, ignorar ao longe,
Adoptar uma oportuna filosofia
Sem moral, mas transbordante de amor,
Daquele que se diz universal,
Bem mais folclórico, sensacional,
Do que simples gestos de afecto
Sem aparato, sem esplendor.
Hoje, enfim, num striptease de verdade crua,
Daqueles que não têm ovação nem censura,
Vou enfrentar o espelho, mirar, contemplar
A ingrata condição humana,
E, ensaiando abraços e beijos,
Como um profissional da hipocrisia
Num gesto único de folia,
Qual comédia real e pervertida,
Fundir a máscara com a vida!
Annaha
Hoje dei por mim a pensar que cresci,
que deixei a menina que em mim havia,
que se perdeu a inocência, há tanto tempo guardada.
Hoje percebi que me roubaste o amor
que alguma vez te poderia dar,
que me roubaste de mim mesma,
que me transformaste em ódio para comigo.
Hoje senti que não voltará a haver hoje,
muito menos amanhã, ou futuro,
apenas ficará a saudade
da infância, da meninice, do sonho
roubado por ti, por egoísmo,
pelo prazer que não sentes, apenas finges,
pela dor que não finjo, apenas sinto.
Hoje esqueço-me que existo,
para que um dia consiga esquecer
que tu existes...
Nita
Por vezes
a meio da noite
ganho asas...
Voo até à tua beira
e fico a ver-te dormir.
No escuro oiço o teu respirar
o palpitar doce desse teu coração
(poço de ternura e amor)
que me deixa sem versos
apenas com vontade de te mimar.
Por breves momentos
beijo-te e as estrelas sorriem;
o meu coração bate forte
e adormeço em ti
e tu... acordas em mim!
Por vezes...
Por vezes
todo o tempo sabe a pouco
para te sentir
para dizer o que sinto
para dizer...
...dizer tanta coisa...
Mesmo que as palavras
soem a silêncio
quero dizer o quanto gosto de ti
o quanto para mim és importante.
Filipe ("em tempos de glória")
SEGUNDA-FEIRA
A nostalgia do retorno
Às amarras sufocantes dos horários
Ombros caídos
Passos retardados
O esforço matinal
De voltar ao ponto inicial
Ao matematicamente sabido
Começando o sempre começado
À segunda-feira
Em todas as segundas-feiras
Retomar
A parada caminhada
Em que as regras se misturam
E complicam
Em que os trunfos se perdem
Explorando intervalos do impossível
Mas regressando sempre
À espera solitária
Suspensa
Dos sonhos ébrios
Que acabam por imergir
Na lucidez do tempo
Na tensão da vida
Enredados
Nos gestos crucificados
Sem promessas
Das segundas-feiras.
Annaha
ADEUS
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje sao apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
(a mim mesmo...)
"A noite está a demorar uma eternidade a passar e não sei que conto irei imaginar e reviver para que ela passe mais depressa, ou que, pelo menos, não sinta este aperto no coração das saudades que tenho de ti, fofinho.
(...)
Amor, mas mesmo assim, quero que saibas que só de pensar que existes, que pertences à minha vida e que, ao desfolhar um malmequer , este sorria para mim e me felicite pelo bem-me-quer, só o facto da tua existência me dá forças para suportar estas saudades.
Na verdade, o estar ao pé de ti é comparado a uma brisa suave que me arrepia gradualmente, é tranquilidade de um crepúsculo, é água para jasmim, é música para ouvidos de querer, é alegria no céu quando os pássaros bailam a fazer inveja às ondas que sobrevivem no grandioso mar, é esmola a um pedinte de rua, é dar vida interior a outra pessoa, é gostar a dobrar, é acreditar que amanhã virá outro maravilhoso e carinhoso dia de ternura e de magia, é respirar o “glamour” que vagueia em dois ternos olhares, é tudo aquilo que deambula em solo de mercante apaixonado pela sua amada a milhas de distância ... é fervor em noite quente que reclama em busca de frescura momentânea, é agradecer a Deus que estou contigo e de saber o quanto gosto de ti .
Gostar de ti é comparado à força de um sismo que arrasa terra de alguém, é “fogo que queima e arde sem se ver”, é domínio de poder, é fazer renascer uma fonte que talvez tenha secado por malícias de amargura ou dores eloquentes que teimam em secar a órbita divina, é revitalizar o poente sem rumo, é “vaguear” norte e sul em minutos, é oferecer palavras sempre com certezas, é um sonho aqui na realidade, é acompanhar o pôr-do- sol e comparar a sua beleza ao meu sentimento, é ouvir as flores a embalar uma canção, é não entender o que se passa ao meu redor, é ser artista (poeta, escultora, pintora), é salientar um sorriso a desconhecidos, é naufragar em pintura de um sonho de luares perdidos, é revelar que não estou sozinha enquanto durmo, é não misturar vento com “lama”, é ultrapassar uma fronteira para te abraçar, é acreditar em mares de cetim, é uma despedida de bárbara escuridão, é crescer com um carinho, é perfumar a alma com o coração, ou seja, é mostrar à alma que o coração é quem ordena, é dançar até tarde nas mais belas nuvens ao ritmo do destino, é quebrar os ponteiros ao relógio, é ter-te como agora, em pensamento e no coração, é colher um estrela para te oferecer, é cantar como uma ceifeira ( Oh, canta pobre ceifeira - Fernando Pessoa ) mas por um encantador sentimento: o gostar a cada minuto mais de ti, é um deleite de ternura, é a transparência de uma melodia afável, é esperança pela aparição da paz numa madrugada coberta de nevoeiro
(...)
"
"margarida"
(contém pequenos erros mas não quis alterar o original...)
Nita
Que vergonha, rapazes! Nós pràqui,
caídos na cerveja ou no uísque,
a enrolar a conversa no «diz que»
e a desnalgar a fêmea («Vist'? Viii!»)
Que miséria, meus filhos! Tão sem jeito
é esta videirunha à portuguesa,
que às vezes me soergo no meu leito
e vejo entrar a quarta invasão francesa.
Desejo recalcado, com certeza...
Mas logo desço à rua, encontro o Roque
(«O Roque abre-lhe a porta, nunca toque!»)
e desabafo:- Ó Roque, com franqueza:
Você nunca quis ver noutros países?
- Bem queria, Sr. O'Neill! E... as varizes?
Alexandre O'Neill
Enquanto a Lua e as estrelas faziam amor
Libertei-te...
Deixei a tua alma jogar ao esconde-esconde com a minha...
Libertei-te...
Mas serás meu prisioneiro... se quiseres!
De madrugado roubei-te aos sonhos...
E enquanto o silêncio devorava as ruas duma cidade discreta,
Libertei-te...
Deixei que fosses meu servo fiel!
Libertei a tua alma do refúgio sombrio das almofadas...
Libertei-te... da gana de todas as Evas!
Libertei-te... do desencanto dos dias!
Deixei que viesses...
Prendi-te...
Prendi teu coração...
Tu deixaste... não mintas!
Consegui algemar-te a mim...
Concedi-te as chaves... não digas que não!
E enquanto as rosas deixam fluir gotas de água pelas suas pétalas,
E a Lua que vai traindo o Sol,
Num gesto inconcebivel para o mundo...
Libertei-te...
Prendi-te... para te amar...
Dei-te as chaves... não negues!
Eu libertei-te e prendi-te...
Tens as chaves na candura de tuas mãos...
Eu quero-te...
Mas a liberdade só a ti pertence!
Sandra (sanvel)
Lágrimas...
Percorrem o meu ser satisfeitas
Possuindo-me...
Como o diabo possui o mundo!
Lágrimas...
Apoderam-se das minhas veias
Queimam...
Fazem-me sofrer....
Lágrimas...
Invadem o meu coração
Como quem chama pela dor
E crescem... crescem... crescem
Coração doentio... dor de alma
Chama acesa...lágrimas que queimam
Dilúvio...
Lágrimas...
As metáforas da minha dor!
Sandra (sanvel)
Tenho uma vontade subtil...
Uma vontade que cansa a alma
Que atordoa os sentimentos
Incendiando o coração!
Tenho uma vontade imensa...
De enfrentar as gotas dum dilúvio
De rasgar as chamas
De sofrer em cada instante!
Tenho vontade...
De sofrer!
Tenho vontade...
De me evadir!
Tenho vontade de fugir!
Sandra (sanvel)
Há almas tão tragicamente nuas, tão secas de ternura, tão nocturnas de afecto e entrega, que asfixiam a vida, incineram o amor.
Annaha
Quero ser a tua noite,
fazer fechar os teus olhos,
e depois, pelo amanhecer,
abri-los como um raio de sol.
Deixa-me ser
o brilho da tua alma,
acordar-te com um doce sussurrar,
cobrir de pétalas o teu sorriso
para assim eternizar a Primavera....
Filipe
Sem qualquer razão explicável, parei, subitamente, face àquele quadro. Uma paisagem, o mar, um céu muito azul, um barco oscilando, ao longe, um vulto indefinido... Algo naquela imagem me atraía e era, simultaneamente, familiar. Fechei os olhos. Encostei o coração à mudez, aparente, do quadro. Tentei decifrar o silêncio do vulto indefinido, mas familiar. Senti o som da água, os apelos das gaivotas, o azul liquefeito do firmamento... Só não conseguia identificar aquela figura, como se a intensidade da luz distorcesse a memória ou a quisesse confundir. Sentia-me enclausurada na ondulação límpida das águas. Sentia o apelo de alguém que tentava tocar-me. Via os seus olhos tristes, porque sabia que nunca chegaria ao gesto, que ficaria, apenas, nessa intenção... Entrei no quadro. Sorvi o salgado do mar, respirei o azul do céu, balancei, suavemente, ao ritmo da pequena barcaça, libertei a memória ao compasso do voo das gaivotas e olhei, fixamente, através do vulto de linhas imprecisas, sombreadas de um contacto íntimo, mas já longínquo. A recordação acompanhou a luz frágil do que se dissolvera há muito. Tentei lutar contra a indefinição do esquecimento, o gume dos estilhaços de momentos sem ressonância. E vi. Vi-te. Solicitei palavras, um gesto... Olhavas-me, sorrias levemente, desafiavas-me - pedido e oferta. Não sei se era o orgulho, ou outro qualquer sentimento, que me impedia de te abraçar, de te revelar a solidão de olhos cegos de viver. "O passado é inútl como um trapo" - a beleza terrível destes versos preencheu toda a paisagem. O céu escureceu, o mar revoltava-se em vagas crispadas, a pequena barca, exausta, parecia ir entregar-se a cada momento ao sacrifício final. Tentei agarrar a tua mão. Mas o rosto familiar esfumara-se e o vulto era uma amálgama de traços amarrotados de desdém que não viam os meus acenos desesperados nem davam espaço à mais leve tentativa de aproximação. Era o fim... De repente, libertei-me, saí do interior para o exterior. Abri os olhos. Respirei fundo e olhei, receosa, o quadro. Já não ouvi o coração - o meu, o dele. Era apenas um bonito quadro, uma bonita paisagem, numa bonita moldura. Não passara tudo de um sonho? De uma questão de perspectiva? De uma certa forma de olhar? Não sei. A claridade subjacente ao quadro continuava a impressionar-me. A quietude e tranquilidade harmoniosas continuavam a atrair-me. O pequeno bote lá estava, balouçando, indiferente, ao meu olhar ansioso. Só não conseguia descortinar o vulto. Era apenas um ponto que se confundia com o horizonte. Afastei-me. Dei lugar a outros olhares, a outras vidas, a outros sentires. Mas, não sei bem porquê, levava na alma e no rosto um travo a sal e a sensação magoada de te ter perdido outra vez.
Annaha
Tu levaste a minha alma
E a vontade de viver
Só deixaste no meu peito
Um pobre coração desfeito
Que não sabe mais bater
Tu levaste a minha alma
Só o meu corpo está aqui
Tudo o resto foi contigo
E hoje tento e não consigo
Sequer mandar em mim
Quero voltar a amar
Quero deixar de andar
Assim tão à deriva
Quero encontrar alguém
Mas nem isso já sei
Pois levaste a minha vida
Contigo
Filipe
Que lindo dia de Primavera!
Somente mais algumas semanas de paciência e será Verão. Pequeninas e belas folhas verdes crescem das árvores e silvados.
Esmeralda, a minhoca mais velha da vila, num dos longos passeios que costumava dar pela floresta, encontra uma bela e sedutora pastilha elástica.
Como o sol brilhava bastante, a pobrezinha parecia um pouco aflita; então, a velha Esmeralda, com a ajuda da sua bengala, pegou naquele líquido esverdeado, com um intenso cheiro a menta, e deitou-o num riacho que havia ali perto.
Com o frio das águas, a pastilha elástica tornou-se um pouco mais dura, o que lhe trouxe de volta aquela agilidade toda que lhe pertence.
Esmeralda , ao vê-la já fora de perigo, resolveu continuar o seu passeio por entre as flores.
Mesmo quando virava costas, ouviu uma vozinha que a chamava:
- Hei! Tu, olha, bicho comprido que me salvaste a vida... obrigada, o meu nome é Pilu; e tu como te chamas?
Ao ouvir aquilo, Esmeralda voltou novamente para a margem do rio, e viu, flutuando sobre as azuis e límpidas águas, a pastilha elástica...achou bastante estranho! Como poderia uma pastilha elástica, já usada, ser capaz de falar com uma minhoca?
- Olá Pilu! O meu nome é Esmeralda! O que fazias tu ali, estatelada na calçada?
- Sinceramente não sei, pedra preciosa! Tenho a sensação que fui cuspida por um ser monstruoso, depois de ser mastigada durante mais de quarenta minutos!
- Ah! Que horror!... e que sabes tu fazer?
- Bem, tenho que admitir que sou indispensável ao Mundo...
- Nunca ninguém é indispensável ao Mundo, Pilu! Quando nascemos, Deus dá-nos uma missão, e só depois de a cumprirmos é que nos vamos embora!
- Está bem... és capaz de ter razão, nunca tinha pensado nisso! E tu que fazes?
- Eu? Neste momento sou uma pobre e solitária minhoca, sem rumo algum. Limito-me a dar longos passeios pela floresta, aprecio a beleza das flores e durante a noite fico horas e horas a olhar a lua... Quando era mais nova, adorava ensinar os animais da vila a sonhar. Passava montes de tempo a ler-lhes histórias de humanos que viviam essencialmente para o trabalho e para o dinheiro.
- Acho que encontrei a pessoa ideal... Nem imaginas há quanto tempo queria aprender a sonhar... voar por entre serras, nadar em mares gelados, subir até às nuvens, descer até longos lençóis de água e, por fim, ir até ao sol e roubar-lhe um dos seus preciosos raios.
- Sim, acho que te posso ajudar! É muito simples... só terás que saltar para o meu ouvido e eu, juntamente com o meu Anjinho Sinaleiro, levo-te até esse sonho! Para que um sonho se realize, só temos que ouvir esse anjo que temos dentro de nós, o nosso coração!
- Tenho a sensação que já ouvi falar em anjos... foi num dos dias em que estava à venda, na Tabacaria do Sr. António. Na mesa nº1 estavam duas meninas sentadas... se visses como eram lindas, passavam por lá todos os dias, e pediam sempre a mesma coisa. Lembro-me como se fosse hoje. Uma delas tinha mesmo carinha de sol, aliás, para mim era o mais belo raio de sol, tal como aquele com que eu sonhava. A outra, parecia-me mais uma lua. Uma vez estava a falar com o rebuçado de morango e disse-lhe que ela parecia uma Lua de Prata! Sei que falávamos muito sobre elas, mas o meu amigo moranguito foi-se embora primeiro do que eu.
Essas meninas eram algo de muito puro, só uma vez é que as ouvi falar... só lhes percebi algumas palavras! Falavam de fantasmas, de pássaros que vinham algures do Sul e, também, de uma anjinho solitário. Será que falavam do mesmo tipo de anjos, Esmeralda?
- Não sei, Pilu. Cada pessoa tem o seu anjo e ele de início é um pouco difícil de encontrar... estás confortável aí no meu ouvido?
- Sim, é muito quentinho... aliás, dizendo mais, tem o calor do raio que eu queria roubar ao Sol!
- Vês Pilu, um bocadinho do teu sonho já foi realizado, não encontraste o raio, pois isso seria impossível, o Sol seria incapaz de viver sem ele, mas encontraste o seu calor!
- Sim, tens razão; ainda não tinha pensado nisso.
Depois de caminharem durante algum tempo pela floresta, Esmeralda resolveu levar Pilu a conhecer uma das suas melhores amigas.
- Pilu, acho que encontrei a forma ideal de realizar mais um pouco do teu sonho. Vou levar-te a conhecer uma amiga que tenho lá na vila. É uma borborletinha. É muito bonita, tem umas asas em tons de rosa, que dá para ficarmos encantados! Tenho a certeza que ela te pode ajudar. Montas sobre as suas asas e ela levar-te-á a voar por entre as serras do teu sonho, poderás olhar as nuvens tal como anseias.
- Esmeralda, posso fazer-te uma pergunta?
- Sim, claro...
- Como conseguiste encontrar o teu anjinho sinaleiro?
- Foi muito simples! Tinha eu catorze anos e conheci uma Margarida que tinha nascido num belo prado, bem longe daqui. Certo dia de Verão, uma abelha traquina resolveu tirar-lhe um pouco do seu pólen, e voou. Por mero acaso veio para cá e ficou hospedada na minha toca. Na noite em que chegou, ficámos horas e horas na conversa e pedi-lhe que me ajudasse a ficar com essa Margarida. Foi então que encontrei um anjinho sinaleiro que levava as minhas mensagens para ela e voltava dias depois com uma resposta!
- Gostava muito de um anjinho assim! – disse Pilu num tom de voz muito suave.
Quando chegaram à vila, depois das apresentações feitas, a pastilha elástica subiu para as asas da borboleta e voou para o sonho!
Esmeralda ficou ali dois dias, esperando que a borboleta voltasse com a sua amiga.
Pilu estava mais feliz do que nunca, mais um pouco do seu sonho tinha sido realizado!
Saltou de novo para o ouvido de Esmeralda e murmurou-lhe:
- Obrigada por tudo... acho que encontrei o meu anjo. Um anjinho minhoca que realizou o meu sonho.
- Espera Pilu, ainda falta a melhor parte, ou talvez a despedida. É simples, mas terás de a ultrapassar sem a minha ajuda. Vou levar-te até à orla do mar, onde os sonhos voadores mergulharão contigo até ao fundo. Aí, irás ser capaz de sonhar eternamente. Agora, vá, desce do meu ouvido e prepara-te para seres tu mesma. Lá no fundo, irás encontrar um jardim. Um jardim encantado onde só tu e o teu anjinho poderão entrar. Diverte-te! Até sempre...
Pilu mergulha na límpida água do mar e com a força das ondas é arrastada até ao fundo, onde irá ser feliz!
Nita
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A FESTA ACABOU
A festa acabou.
Extinguiu-se o fogo-de-artifício,
esgotaram-se os foguetes,
as girândolas, até mesmo o fogo-fátuo,
as fogueiras de vaidade, os risos cansados
e as estrelas no firmamento...
Retirou-se a multidão,
levando desse palco de fantoches,
o espanto, os aplausos,
a penumbra de palavras decoradas,
o lodo que pisou e a realidade que nunca existiu.
A festa acabou.
Apenas um vulto esquecido,
fustigado pelo vento da memória,
ensopado pela chuva que não deixa ver
para além do que se vê,
esmagado pelo cinismo inóspito,
miserável do mundo,
ali quedou, imóvel, desolado,
sem a coragem de se deixar partir,
numa última ânsia de vida.
A festa acabou.
O sonho subiu e juntou-se ao ar,
desvanecendo-se por entre nuvens de tristeza.
E nunca a noite foi tão negra,
e a miséria das almas tão intensa.
Annaha
Mas, afinal, neste relógio da vida a que horas deixarei de ser criança?!
Nita
Minha missão é amar-te
Só para isso é que nasci
Das minhas mãos entregar-te
O que há de melhor, para ti
Tudo o que sou
É por ti
Tudo o que dou
É para ti
Se vivo estou
É por ti
O teu amor é que me traz aqui
E tudo em mim
Só vive para te amar
E fazer mais feliz o teu ser
Tudo em mim só vive para te dar
Mais que um sonho de amor e prazer
Para sempre tudo em mim
Estar na vida só para te querer
Para sempre tudo em mim, tudo em mim
Só tem vida pelo teu viver
Minha passagem pela Terra
É só para te dar o céu
E a minha razão primeira
É ser sempre tu
Depois eu
Filipe
TESTAMENTO
Aos meus amigos, àqueles que, na minha vida, do amor fizeram a arma mais doce que alguém podia inventar, deixo o meu silêncio, o meu porto de abrigo e tudo aquilo que soube sentir, mas não consegui dizer.
Deixo, ainda, um coração revolto, rebelde, carente, quantas vezes magoado, a quem lavei a tristeza em lagos de choro e de afectos que não sei dizer se foram verdade ou são o desejo de serem saudade.
Aos meus não-amigos, àqueles de quem sempre fugi, de quem sempre me ocultei, deixo as minhas mais remotas lembranças e a minha perpétua fuga; fuga dos olhos com medo de ver; fuga das mãos que temem tocar; fuga da alma com medo de se desnudar.
Deixo-lhes, também, para que me lembrem sem rancor, um céu muito azul, uma noite estival povoada de luz no que antes era cinza , desalento e agonia mortal.
A ti, deixo as palavras que nunca pude arrancar de mim. Deixo-te um poema inacabado, o fogo da emoção e uma página expectante. Deixo-te o mundo olhado em minhas mãos neste caminho de aquém-despedida e o meu sorriso de infinito merecimento de ter conseguido alcançar a meta de haver sido.
Está, finalmente, paga a dívida!
Annaha
Porque é que não amamos quem queremos? Porque não queremos quem amamos? Eis as palavras da minha mente! Esqueci o meu lado de verdade e enveredei pelo esquecimento. A não ser que queira sonha a realidade...será? Assim a vida não nos mente!Porque aqui somos anjos!Tudo o que alcançamos é espacial..nesta minúscula via-láctea. Queria amar, mas nunca perdidamente, este, aquele e toda a gente...Queria embalar-me...mas a culpa nunca deixará de ser tua,Homem, custa alguma coisa sublimar?? Chove o perfume que choro...mas esta minha raiva é vida, é um guarda chuva de ódio! Não, não te aproximes! Eu não abrigo ninguém!!!... Perdoa-me, não sei quem sou..talvez um cadaver adiado! Esforço-me...encontro-me, mas não gosto de mim!! Sou...talvez uma metamorfose da vida..Saí de um casulo para me esconder noutro ainda mais fundo!...pensava que me cresceriam as asas, daí deixei voar o meu ego, para longe! Inocente,eu ... inconfundivelmente perdida neste mundo de feras que se desfazem todos os dias como água!...
Lamentavelmente...
Nita
Amo-te tanto! - dizias. E eu acreditava. Não percebendo, na embriaguez subtil da loucura, que me amavas tanto que te esquecias de reparar em mim.
O teu amor - insistias - era absoluto. Agora eu acho que era sufocante. A memória do próprio desamor. Uma espécie de desajuste de almas com uma sôfrega cegueira do olhar.
Nunca te pedi milagres - nem grandes nem profanos - apenas que me deixasses atingir a sublime simplicidade de ser eu. Mas tu não conseguias, ou não querias, distinguir o meu eu do teu eu, achando que isso era o limite da perfeição humana.
Querias-me - ouso acreditar que sim - esquecida sobre o tempo, o teu tempo, e nunca compreendeste o meu olhar cheio de mágoa e desamparo. Nem sequer soubeste o que fazer com ele...
E agora faz-se tarde. Já dissemos tudo o que havia de ser para sempre e, desde então, ficamos sem recordações.
Faz-se tarde, e a música é sempre a mesma. Nem uma nota mudada.
Faz-se tarde. É tempo de deixar de perseguir a história que já terminou.
Amei-te tanto!
Annaha
O vento soprava forte e o mar estava bravo. Quim da Silva, um pobre pescador ,lançou-se ao mar, ligou o motor e seguiu as ondas. Sentia-se o uivar do vento e a pesca tornar-se-ia bem difícil. Quim da Silva era um homem baixo, com os olhos esverdeados. O seu cabelo grisalho, penteado para o lado, ameaçava desaparecer dentro de poucos anos. Vestia uma camisa aos quadrados verdes e amarelos, com umas calças em ganga dobradas até ao joelhos. Notava-se no seu rosto uma sensação de angústia e de cansaço. Lançando as redes ao mar, acendeu um cigarro. No ar era visível a sua respiração. Entre uma e outra bola de fumo, sentou-se na borda do barco e esperou. O seu pensamento foi interrompido por um som aflito. Bem lá longe ouviu uma voz que pedia ajuda: - Socorro...Socorro. Quim da Silva olhando para o local de onde vinha a voz, avistou uns braços no ar, notando-se em cada gesto, o medo. Quim da Silva não se mexeu. Não podia largar as redes para ajudar um desconhecido que pedia ajuda. Afinal, ainda ficava um pouco longe e podia ser também perigoso para ele. Fez que não ouviu, continuando o seu trabalho. A noite começava a aproximar-se, a voz tinha deixado de se ouvir fazia já algum tempo. Começou a puxar as redes, mas nada...nem uma única alga tinha ficado na rede de Quim da Silva. Regressou então a casa e, olhando as caras esfomeadas dos sete filhos, sentiu um aperto no coração, um nó na garganta. Durante a noite, foi atacado por vários pesadelos horrivéis. Ouvindo a voz que lhe pedia ajuda, Quim da Silva sentiu-se, pela primeira vez na vida, arrependido. O que lhe custava ajudar uma pessoa aflita? No dia seguinte, bem cedo, como fazia regularmente dirigiu-se à beira mar. Entrou no barco, mas remou em sentido contrário ao dia anterior. O mar começou a ficar agitado e as nuvens aproximavam-se à velocidade da luz. Uma medonha tempestade avistava-se. O vento começou a soprar cada vez mais forte. Quim da Silva acabava de perder um dos remos. Içou as redes antes que se perdessem. Bem tentou regressar a terra, mas foi impossível. O barco de Quim da Silva deixou de se avistar. Já nem o arrependimento lhe bastou, ninguém ouviu a sua voz pedindo ajuda.
Nita
A senhoreca seguia à minha frente. Andar altivo, submerso de prepotência, projectava novo-riquismo e presunção em cada passo. Toda aquela imponência emanava um não sei quê de fictício, burlesco, atarracada mentalidade.
Em abono da verdade, tal “caniche” saltitante teria passado a mil léguas submarinas do meu olhar, não fosse o alarido provocado pelos sacos e saquinhos que ela agarrava, preciosamente, com as suas “maozinhas” gorduchas – presumo que escorregadias - e carregadas de anéis. Bastou-me subir uns centímetros com o olhar e… eis as pulseiras e pulseirinhas, ouro a farnel, para gozo da proprietária e de quantos, como eu, se deleitavam com a joalharia exposta.
E a dita cuja senhora não teria o direito de se apresentar como quisesse? Ainda que parecesse uma árvore de natal carregadinha de enfeites multicolores? – perguntará, acertadamente, o leitor. É claro que sim. Obviamente que cada um tem o direito de fazer o que lhe der na real gana, e deambular por Santa Catarina no traje que mais lhe aprouver. Só que o grotesco era de tal maneira chamejante, apelativo, o verniz de tal modo estaladiço que eu – mea culpa – não conseguia parar de rir cá por dentro e, volto a penitenciar-me, espraiar a imaginação em cenas mais ou menos caricatas, tendo como protagonista a balofa lady.
A certa altura – puro acaso? – ambas parámos em frente à montra de uma sapataria. Não resisti. De soslaio, alonguei o canto do olho em direcção ao escaparate ambulante. Certinho. A pintura, o ouro – ou fantasia – o decote mostrando uns seios dignos das melhores amas da idade média, enfim, todo o conjunto era um quadro por demais bizarro, por demais surrealista.
A história teria terminado aqui. Aquele clone de uma qualquer Lili Caneças deixara de me despertar curiosidade. Assim, passei a observar os sapatos coloridos – com preços bem menos coloridos - recomendados para a estação primavera/verão.
Subitamente, ouço alguém dizer em tom lamuriante: - “Dê-me uma esmolinha…”. Era um mendigo sentado numa das esquinas da montra da sapataria. Um entre tantos, daqueles em quem já não reparamos, umas vezes por medo de sermos enganados, outras… porque dá mais jeito fingir que não vemos, enrodilhados que estamos em obrigações, normas, compadrios e merdinhas desse género. Não nego – sei-o por experiência própria – que alguns deles são “poseurs”profissionais, actores de prodigioso talento, expondo uma miséria artificial. A outra, a verdadeira miséria, a que pertence a todos nós e é fruto de uma sociedadade que se habituou a parir indigentes porque não sabe fazer outra coisa, bem, essa está oculta ou, pelo menos, disfarçada.
A melopeia continuava: - “Dê-me uma esmolinha, minha rica senhora…”. Eu começava a sentir-me incomodada e sem saber bem o que fazer: - “Dou… não dou… e se é tudo treta… e se não é… “ – quando uma voz estridente, irritantemente aguda, atirou estas pérolas: - “ Vá trabalhar! A vida custa a todos. Cambada de malandros!”.
O verniz tinha estalado de uma ponta à outra. Uma aragem sórdida, mesquinha, bafienta tinha, de repente, invadido o espaço onde me encontrava. Aquelas palavras vexantes tinham, sabiamente, saído da boquinha espremidinha do “meu caniche”. Olhei-a, usando o mesmo ar de desdém com que ela amarfanhava os outros. Não disse nada, mas pensei: - “ Ouve lá, ó pindérica, tu até podes não dar esmola. Provavelmente, eu também não iria dar – já céptica q.b., embrulhada num marasmo de mentiras e verdades… - mas era preciso humilhar, madame?”
O mendigo – há quem defenda que a palavra apropriada é vagabundo… - mirou a dona, remirou-a e, tirando uma moeda do boné que jazia sobre os joelhos, estendeu-lha, dizendo: -“Tem razão, minha senhora, tem razão… A vida custa a todos. Tome, é pouco mas é de boa vontade… Aceite… a pobreza partilhada pesa menos.
Eu pergunto: - “Quem é que disse – felizes os pobres de espírito - ?!
Annaha
Mais um dia que passa
mais uma obra inacabada
mais um pedinte que escapa
à madrugada gelada
mais um velho sentado
num dos bancos de um jardim
mais uma criança que chora
mais um riso que se perde
é apenas mais um dia
apenas mais um momento
de solidão ou de mágoa
que ao olhar-te
se transforma em amor
se transforma em alegria
tudo porque o mundo acaba
quando os meus lábios
suavemente deslizam
pelos teus olhos
porque o mundo acaba
sem nunca alguém
lhe ter chamado mundo
porque...
nem tudo o que tem início
poderá ter fim...
Nita
Hoje as ondas do mar não são azuis
mas os dias também não são cinzentos!
Nada é perfeito
Nem mesmo tu... mãe!
És um carinho de madrugada,
És o conforto,
Por vezes a dor...
Mas... és a minha mãe
Que eu amo muito!
Hoje é dia da Mãe
Um dia bonito!
Quero que sejas muito feliz
todos os dias
de todos os meses
de todos os anos!
E perdoo-te mãe...
por todas as dores por mim muito sentidas!
E perdoa-me mãe...
por todos os dias em que te fiz passar mal!
E agradeço-te pela felicidade proporcionada!
Mãe...
que o teu mundo seja sempre belo como as flores
que a tua vida seja sempre como o odor dos jardins,
em tempo de Primavera.
Mãe...
Que a tua vida seja sempre a mais bonita!
Mãe...
Amo-te!
Sandra (sanvel)
Dia da Mãe 2004
Perante a vida desdenhada me confesso...
Amor... eu nunca te desenhei!
Solto agora a força das minhas palavras...
Eu nunca desenhei o amor...
Não... não sou infeliz...
Eu nunca desenhei o amor... senti-o!
Eu nunca desenhei o amor... sinto-o!
Eu nunca desenhei o amor... pinto-o!
Traços distintivos,
Formas redondas, triangulares, animadas...
Pouco me importa...
Como o mar... como o sol... como a vida...
Pouco importa...
Eu nunca desenhei o amor no baloiço da minha varanda!
Solto agora meus versos...
Eu não desenho o amor...
Eu sinto o amor...
Eu pinto o amor em meu peito,
Em meu corpo,
No meu coração, na minha alma...
E o grito calado do uivo dos lobos...
E o voo incessante de águias majestosas...
E recordo o dia em que o senti...
É uma viagem...
Um toque meu...
Eu nunca desenhei o amor... e não me arrependo!
Sandra (sanvel)
Na voragem deste dia
Deixo escorregar lentamente as lágrimas
Pelo meu rosto...
Falta-me um pedaço de mim...
Faz-me falta...
Fazes-me falta...
E enquanto a noite vai subindo as céus
E as estrelas embalam a Lua,
A minha alma mantém-se doente, dorida!
Na voragem deste dia...
Deixo-me sofrer... sozinha!
E o vento vai-se entrelaçando com o mar...
A janela abre-se...
Os meus cabelos sobrevoam...
E a minha alma permanece ali... doente, dorida...
Às vezes pode não parecer...
Às vezes posso ser cruel...
Às vezes posso ser tola...
Mas... Amo-te!
Sandra (sanvel)
É tão bom amar-te ao som dos uivos do vento,
Enquanto as águas cristalinas se embriagam no sal da vida!
Saboreio as tuas mãos... num ritmo... sensato!
Saboreio os teus beijos... num ritmo... incontrolável!
Talvez a magia do anoitecer seja... o nosso amor
O encanto do arco-iris é breve,
As metáforas da vida são insensatas à nossa cor,
O amor das flores é aborrecido,
A cor do céu é desfocada,
As ondas do mar são calmas...
A cor do nosso amor é intensa!
O nosso amor é azul... como a união do sonho e da paz!
O nosso amor é vermelho... quando o teu coração se une ao meu!
O nosso amor é da cor da pele... se unirmos as mãos!
O nosso amor é colorido... quando trocamos abraços!
O nosso amor é a cor da vida...
Sei que tem cor...
Cor...
Mas não sei qual...
O nosso amor é forte e intenso... com cor!
O amor que é nosso é a cor mais bela!
O amor...
o nosso...
é um amor...
intenso.
É tão bom amar-te ao som da nossa cor!
Sandra (sanvel)
Certa noite senti que me faltavas...
O meu leito de rosas estava demasiadamente frio...
Decidi pintar-te!
Quis bordar teus lábios para ter teus beijos...
Borrei as minhas mãos de tinta...
vermelha... como a cor do amor,
azul... como a cor do céu,
castanha... como a cor dos teus olhos,
E deixei que as minhas mãos pesadas te moldassem...
Não eras barro... eras cor!
E não consegui findar a tela...
Sabes... não consigo pintar-te o coração
e não tenho a certeza se posso...
Sabes... tenho o teu coração junto ao meu
e não consigo pintá-lo fora de meu corpo!
Recuso-me a pintar teu coração na tela.
Não quero partilha-lo com mais ninguém,
Mesmo sabendo que aquele retrato é só meu...
Retrato...
O teu retrato...
Não está na parede... nem no hall da entrada...
Está na minha pele... no meu sonho!
Pintei-te... com as cores de minhas mãos...
Pintei-te... mas sem o coração,
Porque esse é meu... e teu... e do nosso amor!
Pintei o teu retrato para mim... para ti... para nós!
Sandra (sanvel)
Na Valsa das estrelas
Penetrei no teu olhar lânguido e doce...
Senti-me ao sabor do vento...
O Amor é...
Talvez seja...
O Amor talvez seja a embriaguez dos sentidos!
É uma dádiva de dois corpos,
unidos, numa fusão de rosas e malmequeres!
E um perfume de baunilha,
do belo olhar dos jardins!
O Amor talvez seja...
O cheiro de mel dos incensos...
O Tom coloquial das palavras...
O abismo de duas mãos unidas...
O Amor é...
O Amor talvez seja...
O eclipse da Lua... o brilho do Sol
O Amor é...
É mesmo... a dádiva da minha vida!
Sandra (sanvel)
Provavelmente a Lua não brilha,
as estrelas não brincam!
E se disser que o sol não brilhará amanhã,
ou então que as gotas não vão cair... não se admirem!
Apetece-me simplesmente escrever...
Apetece-me pensar na fluidez dos ruídos, dos sons...
Não... os anjos não cantam...
Eu é que canto... as palavras...
Não... o amor das flores não vos presenteia hoje!
Eu vos presenteio apenas... com a simplicidade das letras!
Banalmente despejo palavras...
Banalmente deixo fluir o desejo incontrolavel de escrever!
É provável que agora não vos fale em esmeraldas e diamantes,
Nem valsas, tangos e vontades
Nem no ódio e no amor...
Agora o simples sentido e o estrondoso som das palavras
Permanece no meu corpo...
Lapidam a minha face nas folhas...
Acto simples,
banal,
fluente,
coerente,
Simplesmente... palavras!
Sandra (sanvel)
Fervilho no rastilho das palavras
Nas metáforas de um coração aceso!
Ao amor... hino de glória
Concedo a magia dos olhares...
A magia do anoitecer...
A poesia dos anjos...
O sorriso da Lua...
Ofereço-lhe a minha chama...
Embalo as estrelas do seu olhar...
Liberto as lágrimas...
Num dilúvio sentido!
Tu és uma ilusão
Sinto-te...
Incendeio a razão...
Solto-te em meus olhos...
Eclipse... nas ondas do céu!
Mil sentidos...
Olhares ínfimos...
Toques infinitos...
Na sinestesia do amor...
Sandra (sanvel)
Agora em momentos vividos
quero dizer-te que não escrevo unicamente palavras!
São sentimentos e sentidos...
São palavras do coração...
Pedaços de alma,
Trilhados por ti e pelo nosso amor!
Tenho vontade de beijar todas as folhas
todos os rascunhos e papéis em que te escrevo,
em que me escrevo
em que falo do nosso amor!
E digo ao mundo que sou Poeta
e nunca mais renego essa minha vontade!
E digo à flor,
ao barco que navega no mar,
à estrela que espreita a lua enquanto enamora o céu,
aos jardins dos encantos,
que tu és a minha poesia,
que tu és a razão de eu ser Poeta!
Sei que não estou embriagada!
Sinto o teu perfume em cada vogal,
Moldo a tua pele em cada sílaba,
Faço amor com cada palavra tua!
E sempre que digo amor...
meu coração bate,
e ouço o teu flutuar rapidamente
como se estivesse encostada a teu peito!
E sinto loucura, paixão, ternura
E sinto o teu abraço forte e intenso
como se estivesses aqui a proteger a minha insegurança!
E digo magia, dádiva, entrega
E pressinto felicidade...
Os meus olhos são meu coração
Pintados de azul, vermelho, amarelo!
Tu és a minha poesia
A vontade de escrever noite e dia!
Afirmo-te: Sou Poeta e tu és a minha poesia
Sandra (sanvel)
Eu tenho um cavalo dentro de mim
Sussuram eles...
Eu tenho um cavalo dentro de mim
Gritei eu...
E tenho...
Um cavalo...
Dentro de mim...
Uns dias agressivo e inquieto,
que relincha... de raiva, por vezes de dor!
Outros mais calmo e doce...
nos dias de sol,
nas noites em que os beijos não são insípidos!
Eu tenho um cavalo...
É verdade...
Um cavalo dentro de mim...
Um cavalo...
Com a dor... da vida
Com a paz... do amor
Com o sossego... dos olhares
Com o brilho... das ondas do mar
Eu disse que tenho... que tinha...
Um cavalo...
dentro de mim...
E não menti!
Eu tenho um cavalo dentro de mim...
sandra (sanvel)
Em cada pétala tua
Reflecte-se o azul do céu
O brilho da lua
Na transparência de um véu
Em cada pétala tua
Tens o desejo de voar
Aromas de felicidade
Que te fazem sonhar
Em cada pétala tua
Existe amor
Saudade e esperança
Em cada pétala tua
Há um mundo a desvendar
Segredos e gotas de magia
Que me fazem balbuciar
Deixa-me desflorar
A tua margarida
Com beijos e carícias
Com amor e ternura
Filipe
Serenidade ao ver-te
reflectido no céu
pintado por estrelas, minhas...
Murmúrio secreto
de amor...
Ouço-te, distante,
sorrindo como ninguém.
Inteligência recheia-te
o corpo e o mundo, teu!
Persistência desejada,
possuida por ti!
Orgulho meu,
em cada palavra a mim dirigida.
Milagre, meus lábios nos teus
Ilusão... ou talvez não,
de um sonho que,
lamentavelmente...se foi!
Nita
O VASO DE BUGANVÍLIAS
Cada manhã desperta da penumbra da noite.
Em cada manhã, a vida. Contudo, ninguém diz,
porque ninguém se apercebe - Estamos vivos!
O sol espreguiça, de novo, os seus raios,
mas tudo carece de sentido para o homem
inteligente, cheio de equívocos e pueris
preocupações. Os olhos estão cegos à beleza
esplendorosa da rosa que se abre, ao esvoaçar
gracioso dos pássaros, à frescura de um vaso
de buganvílias que enfeita o descorado
de uma varanda rendilhada a memórias já
esquecidas, emoções de chegadas e tristezas
de partidas. E o homem, ser pragmático, mede
milímetro a milímetro o tempo, contorcendo-o
em paragens sempre adiadas, afogado em tédio
e bocejos perdidos em labirintos de nada.
A vida, essa, continua à espera que a sofisticada
inteligência humana perceba que ela pulsa, sorrindo,
num vaso de buganvílias de uma velha varanda
Annaha
Que saudade em mim fica
quando vejo o teu sorriso, teu olhar...
Que raiva me possui
por nao te poder tocar.
São momentos, sao instantes
que magoam,
são lágrimas impossíveis de secar.
Tenho medo de crescer,
sair do teu colo,
onde nunca mais sentei ,
de nao conseguir viver sem teu olhar
que me guiou, inevitavelmente,
pelo caminho certo,
que me mostrou todo o teu amor.
Sei que um dia crescerei,
serei como tu, forte,
sei que um dia amarei meus filhos
como tu comigo fizeste,
sei que terei o teu ombro eternamente,
sem jamais te ver... e sentir...
Serei poeta?
Apenas procuro felicidade
Entre versos de desdém
olhando para este mundo sem ninguém
encontro completa tranquilidade.
Saberei escrever poesia?
Se disse outrora que sim
então pelas mãos mentia.
Ao passar pelas linhas da vida
escrevo rimas conformadas
sobre histórias passadas
num futuro sem passado
suavizadas por um beijo apaixonado.
Filipe

A CAIXA DE MÚSICA
A música proíbe solidão.
Abro a caixa e, como por magia, a bailarina começa um voltear gracioso, fascinante, diáfano. A bailarina - ou será a música? Ambas, talvez... - como que me hipnotiza. Tento acompanhá-la com o equilíbrio indispensável à incerteza de um futuro que há-de vir. Aprendo com ela os movimentos naturais da vida, a sabedoria da duração efémera. Como se cada um dos meus instantes fosse o tempo todo.
Este momento está impregnado de magia, parecendo que assim posso falar em esperança ou, pelo menos, em alguma serenidade. É como se a harmonia projectada pela bailarina rodopiando... rodopiando... rodopiando num bailado eterno, me envolvesse subtil e profundamente.
Mas a magia é muito breve... São momentos raros estes. Este, ainda.
Contemplo, novamente, a pequena estatueta. Os deuses afinal existem. E são inúmeros... para criar tanta beleza, tanta fragilidade, tanta mística perfeição.
Olho-a, fixo-a dentro de mim como se a pequena bailarina fosse o centro de todas as coisas, como se a minha vida fosse, realmente, uma herança divina. O tempo de magia esvai-se...
Começo a baixar, lentamente, a tampa da caixa. A música, em surdina, doendo, evaporando-se. E a bailarina partindo. Voltando ao segredo mágico da caixa de música. Qual? Pouco importa...
Sei apenas que a melodia ainda ecoa dentro de mim como se dissesse:
Hora para o amor.
Hora para o desamor.
Hora para sorrir .
Hora para sofrer.
Hora para ficar .
Hora para partir.
Hora para viver.
Hora para morrer.
Poderei - saberei - eu, algum dia, aceitar as horas?!
Annaha
Som do silêncio
Silêncio do amanhecer
Escuridão que desafio
Sem sobre ela nada saber
O vento que por mim passa
Gelo do deserto quente
Que não mente mas sente
O Calor que o seu olhar trespassa
Magia de um sonho
Realidade de um forte suspiro
Aroma das colinas que respiro
Alegria deste Mundo enfadonho
Filipe

CONTA-ME UMA HISTÓRIA...
- Mãe, conta-me uma história de princesas... (Um sorriso sereno e enigmático emoldurou o rosto da mãe que, quase em murmúrio, tentou satisfazer o pedido da pequerrucha).
- Era uma vez uma menina...
- Não, eu disse uma história de princesas. Essa menina era uma princesa?
- A seu modo era. Era a princesa dos sonhos... mas também era uma menina... como tu...
- E vivia num palácio com a madrasta e as irmãs más?
- Não, não vivia com a madrasta. Esta era uma princesa muito singular. Vivia com a família e era feliz.
- Ora, assim não tem piada. Não há príncipes... nem bruxas... nem dragões...
- Ouve, esta história não é assim tão simples quanto isso. É verdade que não há dragões, bruxas e, muito menos, maçãs envenenadas... mas há uma coisa bem pior, bem mais terrível...
- O que é, mãe? Ela encontrou um feiticeiro? Foi encantada?
- Claro que não. A princesa dos sonhos cresceu e , um dia, deu-se conta de que não sabia, não podia sonhar. Ela bem fechava os olhos com força, muita força... mas era inútil. Os sonhos não chegavam até ela e , mesmo os que passavam a barreira do real, esfumavam-se... Ela bem tentava agarrá-los... mas só ficava com fumo nas mãos. Assim, a princesa começou a sentir-se muito só... muito triste...
- E era bonita a princesa dos sonhos?
- Já não recordo bem. Li esta história há muito tempo... Sei que tinha os olhos verdes, de um verde cor-de-ervilha. Não é engraçado?
- Como os teus, mãe? O pai dizia sempre que os teus olhos tinham a cor das ervilhas.
- Talvez... Não, eram mais bonitos, mais límpidos, mais confiantes...
- Mãe, e o que foi que aconteceu à princesa dos sonhos? Morreu?... Se ela estava tão triste...
- Não, não morreu. Desapareceu. Um dia, não se sabe bem como, a princesa tinha desaparecido. Na sua cama já não havia uma menina com olhos cor-de-ervilha. Só havia uma mulher.
- Má?
- Não, não era má. Só não acreditava em sonhos e por isso não conseguia ver a beleza da vida - o céu azul, as estrelas, o mar intenso, o amor...
- E o que aconteceu à mulher? Foi presa e castigada?
- Sim. Diz-se que ainda hoje está presa. Foi acusada de ter feito desaparecer a princesa dos sonhos.
- Mãe, estás a chorar? Porquê?
- Tolinha... não estou a chorar. É a luz do candeeiro que me incomoda. As mães não choram quando contam histórias de princesas às filhas.
- Tenho sono... Olha, a princesa nunca mais apareceu? Nunca mais ninguém a viu?
- Ainda deve andar, algures por aí, à procura dos seus sonhos. Mas não fiques triste... a princesa, agora, és tu. Bons e lindos sonhos, meu amor.
Annaha
(A todas as crianças vítimas da loucura dos homens )
Rostos assustados,
Olhar perdido,
Tão frágeis ante o absurdo
Do que não compreendem.
E vós, os poderosos, vós, os deuses plastificados,
Vós, os que não cuspis no chão,
Mas para o rosto do vosso irmão,
Vós, os defensores de almas purificadas
Dos pecados que defendeis,
Vós, que não contabilizais vidas,
Apenas balanços rigorosos do petróleo,
Vós, senhores da vaidade e da arrogância,
Sim, vós!
Que sabeis do desespero?
Das esperanças derradeiras?
Que sabeis vós, homens de má vontade,
Do olhar assustado, atormentado,
Das crianças que, mesmo inocentes,
Pressentem o sabor inadiável da morte
Que as cerca, que as abraça,
Mas que não entendem a vossa moral obscena
De equívocos, interesses e terror?!
Que sabeis vós das crianças indefesas,
Desprotegidas da vossa ambição,
Que a vossa lúcida loucura violou
De sombras, sangue e horror?!
Com que magnânimas palavras,
Senhores do mundo, ireis explicar-lhes
PORQUÊ?!
Annaha